sexta-feira, 20 de abril de 2012

Existe um Criador Que Se Importa com Você?


Existe um Criador Que Se Importa com Você?
A foto da capa foi tirada em 1995, por meio de um telescópio espacial. Essas nuvens de gás e poeira ficam na Nebulosa da Águia. Os cientistas acreditam que nessas nuvens, os chamados “Pilares da Criação”, formam-se estrelas.
Não são poucos os que se perguntam: ‘Como surgiu o Universo, o nosso planeta e a vida? E o que isso tem a ver com a nossa busca de um sentido na vida?’
Muitos acreditam na criação, que existe um Criador que se importa conosco. Indicam as pesquisas que isso é razoável nesta era científica?
De que modo as descobertas recentes acerca do nosso cérebro e da nossa capacidade de falar se relacionam com essa questão vital?
Por que muitas pessoas cultas estão examinando a Bíblia, e será que o que ela diz acerca de um Criador é de interesse para nós e nossos entes queridos?
Este livro aborda essas questões. Você verá que as suas respostas claras poderão ajudá-lo a dar mais sentido à sua vida e a lançar a base para um futuro mais feliz.

O que poderá dar sentido à sua vida?



Capítulo Um
O que poderá dar sentido à sua vida?
JÁ SONHOU com uma vida melhor, seja na sua localidade, seja num paraíso tropical? Uma vez ou outra, a maioria de nós já sonhou com isso.
Em 1891, o pintor francês Paul Gauguin foi em busca de uma vida assim na Polinésia Francesa. Mas logo veio a realidade. Seu passado dissoluto trouxe doenças e sofrimentos para si mesmo e para outros. Quando a morte lhe parecia iminente, ele pintou um quadro descrito como “derradeira expressão da força artística”. O livro (em inglês) “Paul Gauguin 1848-1903: O Sofisticado Primitivo”, diz: “O espectro da atividade humana abrangido pelo quadro cobre todo o curso da vida, do nascimento à morte . . . Ele interpretava a vida como um grande mistério.”
Gauguin chamou esse quadro de “De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?”
Talvez já conheça essas perguntas. Muitas pessoas refletivas as fazem. Depois de comentar os avanços científicos e técnicos do homem, um editor do The Wall Street Journal escreveu: “Nas nossas reflexões sobre o homem, seus dilemas, seu lugar no Universo, pouco avançamos desde o começo dos tempos. Ainda nos perguntamos quem somos, por que existimos e para onde vamos.”
De fato, algumas pessoas vivem apenas em função de cuidar da família, de ganhar a vida, de viajar ou de outros interesses pessoais porque não conhecem nenhum outro sentido na vida. Albert Einstein disse, certa vez: “O homem que acha que a sua vida não tem sentido não é apenas infeliz, mas também muito mal preparado para a vida.” Nessa linha de raciocínio, alguns buscam dar um sentido à sua vida dedicando-se às artes, à pesquisa científica ou a campanhas humanitárias para minorar o sofrimento alheio. Conhece pessoas assim?
É compreensível que surjam perguntas básicas sobre o sentido da vida. Quantos pais, ao verem um filho morrer de malária, ou de outra doença, não se perguntam: ‘Por que esse sofrimento? Há algum sentido nisso?’ Perguntas assim intrigam muitos homens e mulheres que observam a pobreza, as doenças e as injustiças no mundo. Guerras brutais não raro levam pessoas a se perguntar se pode haver algum sentido na vida.
Mesmo que você não tenha experimentado tais sofrimentos, talvez concorde com o professor Freeman Dyson, que disse: “Não estou sozinho quando faço as mesmas perguntas que Jó [personagem bíblico] fez. ‘Por que sofremos? Por que o mundo é tão injusto? Qual é o objetivo da dor e da tragédia?’ ” Talvez você também gostaria de saber as respostas.
Sem dúvida seria fundamental encontrar respostas satisfatórias. Certo professor, que passou pelos horrores do campo de concentração de Auschwitz, observou: “Nada no mundo . . . ajuda a pessoa tão efetivamente a sobreviver até mesmo às piores condições do que saber que a sua vida tem sentido.” Ele achava que até mesmo a saúde mental da pessoa está ligada a essa busca de sentido na vida.
Ao longo dos séculos, muitos procuraram respostas na religião. Depois que Gautama (Buda) contemplou um enfermo, um idoso e um cadáver, ele buscou iluminação (ou sentido) na religião, mas sem crer num Deus pessoal. Outros têm recorrido à sua própria religião.
E as pessoas hoje em dia? Muitas enfocam a sua atenção na ciência, descartando a religião e “Deus” como irrelevantes. “Quanto mais a ciência progride”, diz o livro Religion and Atheism, “tanto menos espaço parece sobrar para Deus. Deus virou um Expatriado”.
Por que dispensam um Criador?
Na verdade, a tendência de descartar a religião ou a Deus tem raízes em filosofias de homens que deram ênfase à razão pura e simples. Charles Darwin achava que o conceito de “seleção natural” explicava melhor o mundo natural do que o da existência de um Criador. Sigmund Freud ensinou que Deus era uma ilusão. E o conceito de que ‘Deus está morto’ vem desde os dias de Friedrich Nietzsche. As filosofias orientais são similares. Mestres do budismo afirmam não ser necessário saber sobre Deus. Quanto ao xintoísmo, o professor Tetsuo Yamaori disse que “os deuses são meros seres humanos”.
Embora o cepticismo a respeito de um Criador seja amplo, é justificável? Você com certeza conhece exemplos de ‘fatos científicos’ do passado que, com o tempo, revelaram-se totalmente errados. Conceitos como ‘a Terra é plana’ e ‘o Universo inteiro gira ao redor do nosso globo’ prevaleceram por séculos, mas o nosso conhecimento hoje é maior.
Que dizer de conceitos científicos um pouco mais recentes? Por exemplo, o filósofo David Hume, do século 18 — que não aceitava um Criador — não sabia como explicar o complexo design biológico existente na Terra. A teoria de Darwin tentava explicar como as formas de vida se desenvolveram, mas não explicou como a vida começou, ou que sentido ela tem para nós.
Assim, muitos cientistas e leigos acham que está faltando alguma coisa. As teorias científicas talvez tentem explicar como a vida começou. Mas as questões-chave giram em torno de por que começou. Isso afeta até mesmo pessoas criadas num meio em que se acredita num Criador. Disse certa jovem européia, estudante de História: “Para mim, Deus está morto. Se realmente existisse, não haveria tanta baderna no mundo: inocentes passando fome, espécies de animais em extinção . . . A idéia de um Criador é absurda.” Em vista das condições na Terra, muitos não conseguem entender por que um Criador — caso exista — não as melhora.
No entanto, temos de admitir que muitos negam a existência de um Criador porque não desejam crer. “Mesmo que Deus me dissesse pessoalmente que preciso mudar a minha vida”, disse um industrial europeu ao seu empregado, “ainda assim, eu não mudaria. Quero viver do jeito que eu gosto”. É óbvio que alguns acham que aceitar a autoridade de um Criador conflitaria com a sua liberdade ou com o estilo de vida que preferem. Talvez proclamem: ‘Só creio no que vejo, e não vejo nenhum Criador invisível!’
À parte de por que certas pessoas ‘dispensam um Criador’, as perguntas a respeito da vida e seu sentido ainda persistem. Um dia depois da descida do homem na Lua, o teólogo Karl Barth disse, quando lhe perguntaram o que ele achava desse triunfo tecnológico: “Isso não resolve nenhum dos problemas que me tiram o sono.” Hoje o homem voa no espaço e avança a passos largos no “ciberespaço”. Ainda assim, pessoas refletivas vêem a necessidade de ter um objetivo, algo que lhes dê sentido à vida.
Convidamos a todos os de mente aberta a considerar esse assunto. O livro Belief in God and Intellectual Honesty (A Crença em Deus e a Honestidade Intelectual) observa que a pessoa de “honestidade intelectual” caracteriza-se pela “prontidão de escrutinar o que acredita ser verdadeiro” e por “prestar suficiente atenção a outras evidências disponíveis”.
No assunto em pauta, essas “evidências disponíveis” podem ajudar-nos a ver se existe, ou não, um Criador da vida e do Universo. E, se existe um Criador, como seria Ele? Teria o Criador uma personalidade que se relacionasse com a nossa vida? Considerarmos isso poderá lançar luz sobre como tornar a nossa vida mais significativa e recompensadora.


O quadro de Gauguin levantou perguntas sobre o sentido da vida

D’où venons-nous? Que sommes-nous? Où allons-nous?

Qual é a origem do universo? — a controvérsia


Capítulo Dois
Qual é a origem do universo? a controvérsia
OS ASTRONAUTAS emocionam-se ao fotografar a Terra, que parece enorme quando vista através da janela de uma espaçonave. “É o momento mais agradável de um vôo espacial”, disse um deles. Mas a Terra é bem pequena em comparação com o sistema solar. Dentro do Sol caberiam um milhão de Terras, e sobraria espaço! Mas, poderiam esses fatos a respeito do Universo ter algo a ver com a nossa vida e seu sentido?
Façamos uma breve excursão mental ao espaço, para ver o Sol e a Terra em perspectiva. O Sol é apenas uma de um número assombroso de estrelas que ficam num dos braços espirais da galáxia Via-Láctea, ela mesma apenas uma diminuta parte do Universo. A olho nu podem-se ver algumas manchas de luz que, na realidade, são outras galáxias, como a bela Andrômeda, maior do que a Via-Láctea. A Via-Láctea, a Andrômeda e mais umas 20 outras galáxias são mantidas juntas pela gravitação num aglomerado, todas elas ocupando apenas um pequeno espaço num vasto superaglomerado. O Universo contém inumeráveis superaglomerados, e isso não é tudo.
Os aglomerados não estão espalhados por igual no espaço. Numa escala enorme, eles parecem paredes e filamentos envolvendo gigantescas regiões vazias, ou ‘bolhas’. Algumas partes são tão longas e largas que parecem grandes muralhas. Isso talvez surpreenda a muitos que pensam que o Universo criou a si mesmo numa explosão cósmica casual. “Quanto mais claramente vermos o Universo em todos os seus detalhes gloriosos”, conclui um escritor sênior da revista Scientific American, “tanto mais difícil será explicarmos com uma teoria simples como é que ele se formou”.
Evidências apontam para um Começo
Todas as estrelas que vemos estão na Via-Láctea. Até os anos 20, esta parecia ser a única galáxia existente. Mas provavelmente você sabe que em observações posteriores, com telescópios maiores, ficou provado que isso não é assim. O Universo contém pelo menos 50 bilhões de galáxias. Não são 50 bilhões de estrelas, mas pelo menos 50 bilhões de galáxias, cada qual com bilhões de estrelas semelhantes ao Sol. Mas não foi a quantidade estonteante de enormes galáxias que abalou as crenças científicas nos anos 20. Foi o fato de estarem todas em movimento.
Os astrônomos descobriram um fato notável: quando passaram luz galáctica através de um prisma, observou-se um ‘esticamento’ nas ondas luminosas, indicando que se afastavam de nós a grande velocidade. Quanto mais distante a galáxia, tanto mais rapidamente parecia afastar-se. Isso indica um Universo em expansão.
Mesmo sem sermos astrônomos profissionais ou amadores podemos ver que um Universo em expansão teria profundas implicações no nosso passado — e talvez também no nosso futuro pessoal. Alguma coisa forçosamente desencadeou esse processo — uma força suficientemente poderosa para vencer a imensa gravidade do Universo inteiro. É válido perguntar-nos: ‘De que fonte viria uma energia tão poderosa?’
Ainda que para a maioria dos cientistas o Universo tenha tido um começo bem pequeno e denso (uma singularidade), não podemos fugir desta questão fundamental: “Se em algum ponto no passado o Universo estava confinado a um estado singular de tamanho infinitamente pequeno e de infinita densidade, temos de perguntar o que havia ali antes e o que havia fora do Universo. . . . Temos de encarar o problema de um Começo.” — Sir Bernard Lovell.
Isso envolve mais do que apenas uma fonte de vasta energia. Requer também previsão e inteligência, pois o ritmo de expansão parece estar ajustado com grande precisão. “Se o Universo tivesse se expandido uma trilionésima parte mais rápido”, disse Lovell, “toda a matéria no Universo já estaria dispersa agora. . . . E se tivesse sido uma trilionésima parte mais lento, as forças gravitacionais teriam arruinado o Universo mais ou menos dentro de seu primeiro trilhão de anos de existência. De novo, não haveria estrelas de longa vida nem a própria vida”.
Tentativas de explicar o Começo
Será que os especialistas agora sabem explicar a origem do Universo? Muitos cientistas, não à vontade com a idéia de que o Universo possa ter sido criado por uma inteligência superior, especulam que, por meio de algum processo, ele tenha criado a si mesmo do nada. Parece-lhe razoável isso? Tais especulações em geral envolvem alguma variação de uma teoria (a do Universo inflacionário) apresentada em 1979 pelo físico Alan Guth. No entanto, mais recentemente, o Dr. Guth admitiu que a sua teoria “não explica como o Universo surgiu do nada”. O Dr. Andrei Linde foi mais explícito num artigo em Scientific American: “Explicar essa singularidade inicial — onde e quando tudo começou — ainda é o problema mais renitente da cosmologia moderna.”
Se os especialistas realmente não sabem explicar a origem nem o desenvolvimento primordial do Universo, não devemos procurar uma explicação em outra parte? De fato, você tem boas razões para considerar evidências que muitos têm despercebido, mas que lhe poderão dar uma boa compreensão desse assunto. Essas evidências incluem as dimensões precisas de quatro forças fundamentais responsáveis por todas as propriedades e mudanças que afetam a matéria. A simples menção de forças fundamentais talvez leve alguns a hesitar, pensando: ‘Isso é coisa só para os físicos.’ Não é. Vale a pena considerar os fatos básicos, pois nos afetam.
Regulagem perfeita
As quatro forças fundamentais atuam tanto na vastidão do cosmos como na infinita pequenez das estruturas atômicas. Sim, tudo ao nosso redor está envolvido.
Elementos essenciais à vida (especialmente o carbono, o oxigênio e o ferro) não poderiam existir sem a regulagem perfeita entre as quatro forças manifestas no Universo. Já mencionamos uma dessas forças, a força gravitacional. Outra é a força eletromagnética. Se esta fosse bem mais fraca, os elétrons não seriam mantidos ao redor do núcleo do átomo. ‘Seria grave isso?’, há quem se pergunte. Seria, pois os átomos não poderiam ligar-se para formar moléculas. Inversamente, se essa força fosse bem mais forte, os elétrons ficariam aprisionados no núcleo do átomo. Não haveria reações químicas entre os átomos, ou seja, não haveria vida. Já nesse aspecto fica claro que a nossa existência e a vida dependem da regulagem perfeita da força eletromagnética.
E considere a escala cósmica: uma leve diferença na força eletromagnética afetaria o Sol, alterando assim a luz que atinge a Terra, tornando difícil, ou impossível, a fotossíntese nas plantas. Poderia também roubar da água as suas propriedades ímpares, que são vitais para a vida. Mais uma vez, a regulagem perfeita da força eletromagnética torna possível a nossa vida.
Igualmente vital é a intensidade da força eletromagnética em relação às outras três. Por exemplo, alguns físicos calculam que esta força seja 10.000.000.- 000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 (1040) de vezes maior do que a da gravidade. Poderia parecer ínfimo acrescentar mais um zero a esse número (1041). Mas isso significaria que a gravidade seria proporcionalmente mais fraca, e o Dr. Reinhard Breuer fala dos resultados disso: “Com gravidade mais baixa as estrelas seriam menores, e a pressão da gravidade nos seus interiores não elevaria a temperatura o suficiente para ocorrerem as reações de fusão nuclear: o Sol não teria como brilhar.” Imagine o que isso significaria para nós!
E se a gravidade fosse proporcionalmente mais forte, de modo que o número tivesse apenas 39 zeros (1039)? “Com apenas esse pequeno ajuste”, continua Breuer, “uma estrela como o Sol teria a sua expectativa de vida drasticamente reduzida”. E há cientistas que acham que a regulagem é ainda mais precisa.
De fato, duas qualidades notáveis do Sol e de outras estrelas são eficiência e estabilidade a longo prazo. Veja uma ilustração simples: para funcionar bem, o motor de um carro precisa de uma combinação perfeita de combustível e ar. Engenheiros projetam complexos sistemas mecânicos e computadorizados para aperfeiçoar o desempenho. Se é assim com um simples motor, que dizer das eficientes estrelas de “combustão” como o Sol? As forças principais envolvidas estão reguladas com precisão, viabilizando a vida. Será casual essa precisão? A Jó, da antiguidade, foi feita esta pergunta: “Você conhece as leis que governam o céu e sabe como devem ser aplicadas na terra?” (Jó 38:33, A Bíblia na Linguagem de Hoje) Nenhum homem conhece. Assim, de onde vem essa precisão?
As duas forças nucleares
A estrutura do Universo envolve muito mais do que apenas a regulagem perfeita da gravidade e da força eletromagnética. Duas outras forças físicas também se relacionam com a nossa vida.
Essas duas forças operam no núcleo de um átomo, muito evidentemente fruto de projeto inteligente. Considere a força nuclear forte, que liga os prótons e nêutrons entre si no núcleo do átomo. Graças a essa ligação podem-se formar vários elementos — os leves (como o hélio e o oxigênio) e os pesados (como o ouro e o chumbo). Pelo visto, se a força de ligação fosse apenas 2% mais fraca, existiria apenas o hidrogênio. Inversamente, se essa força fosse ligeiramente mais forte, haveria apenas elementos mais pesados, mas não hidrogênio. Afetaria isso a nossa vida? Bem, se faltasse hidrogênio no Universo, o Sol não teria o combustível necessário para irradiar energia vitalizadora. E, é claro, não teríamos água nem alimento, pois o hidrogênio é um ingrediente essencial de ambos.
A quarta força em consideração, a força nuclear fraca, controla a desintegração radioativa. Afeta também a atividade termonuclear no Sol. ‘Está essa força em regulagem perfeita com as outras?’, talvez se pergunte. O matemático e físico Freeman Dyson explica: “A [força] fraca é milhões de vezes mais fraca do que a força nuclear. É fraca justamente o necessário para que o hidrogênio no Sol queime num ritmo lento e constante. Se a [força] fraca fosse mais forte ou mais fraca, todas as formas de vida que dependem de estrelas do tipo do Sol também estariam em perigo.” Sim, esse ritmo de combustão preciso mantém a Terra aquecida — mas não incinerada — e nos mantém vivos.
Ademais, os cientistas acreditam que a força fraca participa nas explosões de supernovas, que eles acham ser o processo para a produção e distribuição da maioria dos elementos. “Se tais forças nucleares fossem ligeiramente diferentes do que são, as estrelas não produziriam os elementos dos quais você e eu nos compomos”, explica o físico John Polkinghorne.
Muito mais se poderia dizer, mas você sem dúvida entende o ponto. Existe uma surpreendente regulagem entre essas quatro forças fundamentais. “Parece que tudo ao nosso redor prova que a natureza fez tudo certo”, escreveu o professor Paul Davies. Sim, a regulagem perfeita entre as forças fundamentais possibilita a existência e a operação do nosso Sol, do nosso agradável planeta com as suas águas vitalizantes, da nossa atmosfera tão essencial à vida, e de uma coleção enorme de preciosos elementos químicos existentes na Terra. Mas, pergunte-se: ‘O que explica essa regulagem perfeita, e o que é responsável por isso?’
Características ideais da Terra
A nossa existência exige precisão também em outros sentidos. Considere as medidas da Terra e sua posição em relação ao restante do sistema solar. No livro bíblico de Jó fazem-se as seguintes perguntas, que induzem à humildade: “Onde [estavas] quando fundei a terra? . . . Quem lhe pôs as medidas, caso tu o saibas?” (Jó 38:4, 5) Como nunca antes, essas perguntas exigem respostas. Por quê? Por causa das coisas surpreendentes que têm sido descobertas a respeito da Terra — incluindo seu tamanho e sua posição no sistema solar.
Não se encontrou nenhum outro planeta como a Terra no Universo. É verdade que alguns cientistas apontam evidências indiretas de que certas estrelas têm em sua órbita objetos centenas de vezes maiores do que a Terra. Mas o tamanho da Terra é exatamente o certo para que possamos existir. Como assim? Se a Terra fosse um pouquinho maior, a sua gravidade seria mais forte e o hidrogênio (um gás leve) iria acumular-se por não poder escapar dessa gravidade. Com isso, a atmosfera seria inóspita para a vida. Por outro lado, se a Terra fosse um pouquinho menor, o essencial oxigênio escaparia e as águas do planeta se evaporariam. Em ambos os casos, não seria possível vivermos.
A Terra está também a uma distância ideal do Sol, um fator vital para a sustentação da vida. O astrônomo John Barrow e o matemático Frank Tipler estudaram “a proporção do raio da Terra e a distância do Sol”. Eles concluíram que a vida humana não existiria “se essa proporção fosse ligeiramente diferente da que se observa”. O professor David L. Block diz: “Os cálculos mostram que se a Terra ficasse só 5% mais perto do Sol, uns 4 bilhões de anos atrás teria ocorrido um descontrolado efeito estufa [superaquecimento da Terra]. Por outro lado, se a Terra ficasse só 1% mais longe do Sol, uns 2 bilhões de anos atrás teria ocorrido uma descontrolada glaciação [enormes camadas de gelo cobrindo grande parte do globo].” — Our Universe: Accident or Design?
A essa precisão, acrescente-se o fato de que a Terra gira em torno de seu eixo uma vez por dia, na velocidade certa para produzir temperaturas moderadas. Vênus leva 243 dias para fazer o mesmo. Imagine se a Terra levasse tanto tempo! Não suportaríamos as temperaturas extremas de dias e noites tão longos.
Outro detalhe vital é a trajetória da Terra ao redor do Sol. A trajetória dos cometas é larga e elíptica. Felizmente, a da Terra não é assim; a sua órbita é quase circular. Isso também nos poupa de extremos de temperatura fatais.
Não despercebamos também a localização de nosso sistema solar. Se ficasse mais perto do centro da Via-Láctea, o efeito gravitacional de estrelas vizinhas distorceria a órbita da Terra. Em contraste, se estivesse situado bem na extremidade dessa nossa galáxia, o céu noturno ficaria quase sem estrelas. A luz das estrelas não é essencial à vida, mas não acrescentam elas uma grande beleza ao nosso céu noturno? E, com base em conceitos correntes sobre o Universo, os cientistas calculam que nas extremidades da Via-Láctea não haveria elementos químicos suficientes para formar um sistema solar como o nosso.
Lei e ordem
Por observação pessoal, você sabe que todas as coisas tendem para a desordem. Como todo dono de uma casa verifica, as coisas abandonadas tendem a estragar-se ou a desintegrar-se. Os cientistas chamam essa tendência de “segunda lei da termodinâmica”. Vemos essa lei em ação diariamente. Um carro novo ou uma bicicleta nova abandonados viram sucata. Um prédio abandonado se transformará em ruínas. E o Universo? A lei se aplica ali também. Portanto, é de supor que a ordem no Universo deva, com o tempo, ceder à desordem total.
Mas parece que não é isso o que acontece com o Universo, como o professor de matemática Roger Penrose descobriu ao estudar o estado de desordem (ou, entropia) do Universo observável. Uma maneira lógica de interpretar tais descobertas é concluir que o Universo começou num estado de ordem e ainda é altamente organizado. O astrofísico Alan Lightman observou que os cientistas “acham misterioso que o Universo tenha sido criado num estado de ordem tão elevado”. Ele acrescentou que “qualquer teoria de cosmologia bem-sucedida devia em última análise explicar esse problema da entropia”, ou seja, por que o Universo não se tornou caótico.
De fato, a nossa existência é contrária a essa lei reconhecida. Portanto, o que explica a nossa vida aqui na Terra? Como já mencionado, essa é uma pergunta básica que merece uma resposta.

O diâmetro da galáxia Via-Láctea é de aproximadamente um quintilhão de quilômetros, sim — 1.000.000.000.000.000.000 de quilômetros! A luz leva 100.000 anos para cruzá-la, e essa única galáxia contém mais de 100 bilhões de estrelas!
Em 1995, os cientistas notaram o comportamento estranho da estrela mais distante (SN 1995K) já observada, que estava explodindo na sua galáxia. Como as supernovas em galáxias vizinhas, essa estrela tornou-se bem brilhante e daí, lentamente, foi perdendo o brilho, porém num período mais longo do que jamais detectado antes. A revista New Scientist pôs isso num gráfico e explicou: “O traçado da curva luminosa . . . está esticado no tempo por exatamente a quantidade esperada se a galáxia se distanciasse de nós a aproximadamente metade da velocidade da luz.” A conclusão? Esta é “a melhor evidência até agora de que o Universo realmente está-se expandindo”.
A teoria da inflação especula o que aconteceu numa fração de segundo após o começo do Universo. Os defensores da inflação sustentam que o Universo inicialmente era submicroscópico e daí inflacionou (expandiu-se) mais rápido do que a velocidade da luz, uma afirmação que não pode ser testada em laboratório. A teoria da inflação ainda é polêmica.
Os cientistas descobriram que os elementos revelam espantosa ordem e harmonia. Evidência interessante disso é apresentada no apêndice “Unidades arquiteturais do Universo”, na página 26.


O Sol é insignificante na galáxia Via-Láctea - espiral NGC 5236

A Via-Láctea contém mais de 100 bilhões de estrelas, e é apenas uma de mais de 50 bilhões de galáxias no Universo conhecido



O astrônomo Edwin Hubble (1889-1953) percebeu que um desvio vermelho na luz de galáxias distantes indicava que o Universo está em expansão e, portanto, teve um começo. 



A perfeita regulagem entre as forças que controlam o Sol resulta em condições ideais para a nossa vida na Terra.

Tentativa de contar as estrelas
  Calcula-se que a galáxia Via-Láctea tenha mais de 100 bilhões de estrelas. Imagine uma enciclopédia que dedicasse uma página a cada uma dessas estrelas — o Sol e o restante do sistema solar ficariam limitados a uma página. Quantos volumes seriam necessários para incluir todas as estrelas da Via-Láctea?
  Com volumes razoavelmente grandes, diz-se que essa enciclopédia não caberia na Biblioteca Pública de Nova York, com seus 412 quilômetros de espaço nas estantes!
  Quanto tempo levaria para examinar essas páginas? “Folheá-la num ritmo de uma página por segundo levaria mais de dez mil anos”, explica o livro Coming of Age in the Milky Way (Maioridade na Via-Láctea). No entanto, as estrelas da nossa galáxia são mera fração do número de estrelas existentes nos calculadamente 50 bilhões de galáxias no Universo. Se a enciclopédia dedicasse uma página para cada uma dessas estrelas, as bibliotecas do mundo inteiro juntas não teriam espaço suficiente para abrigá-la. “Quanto mais sabemos sobre o Universo”, diz o livro, “tanto mais vemos o quão pouco sabemos”.

Comentários de Jastrow sobre o Começo
  Robert Jastrow, professor de Astronomia e de Geologia na Universidade de Colúmbia (EUA), escreveu: “Poucos astrônomos poderiam ter previsto que esse evento — o nascimento súbito do Universo — se tornaria um fato científico comprovado, mas a observação dos céus por meio de telescópios obrigou-os a chegar a essa conclusão.”
  Daí ele falou das implicações disso: “A prova astronômica de que [o Universo teve] um Começo embaraça os cientistas, pois eles acreditam que todo efeito tem uma causa natural . . . O astrônomo britânico E. A. Milne escreveu: ‘Não podemos fazer suposições sobre como eram as coisas [no começo]; no ato Divino da criação Deus não teve observadores nem testemunhas.’” — The Enchanted Loom—Mind in the Universe.

Quatro forças físicas fundamentais
1. Gravitação: uma força bem fraca a nível de átomos. Afeta objetos grandes — planetas, estrelas, galáxias.
2. Eletromagnetismo: a força principal de atração entre prótons e elétrons, permitindo a formação de moléculas. Os relâmpagos são uma das provas de sua força.
3. Força nuclear forte: a força que liga os prótons e os nêutrons entre si no núcleo de um átomo.
4. Força nuclear fraca: a força que governa a desintegração de elementos radioativos e a eficiente atividade termonuclear do Sol.

“Combinação de coincidências”
  “Se a força fraca fosse um pouquinho mais forte, nenhum hélio teria sido produzido; se fosse um pouquinho mais fraca, praticamente todo o hidrogênio teria sido convertido em hélio.”
  “A margem de possibilidade de vir a existir um Universo em que haja certa quantidade de hélio e também supernovas em explosão é muito estreita. A nossa existência depende dessa combinação de coincidências, e da coincidência ainda mais fantástica dos níveis de energia nuclear preditos [pelo astrônomo Fred] Hoyle. Diferente de todas as gerações anteriores, nós sabemos como viemos a existir. Mas, como todas as gerações anteriores, ainda não sabemos por quê.” — New Scientist.

  “As condições especiais existentes na Terra, em função de seu tamanho ideal, sua composição de elementos e sua órbita quase circular a uma distância perfeita de uma estrela de vida longa (o Sol), possibilitaram o acúmulo de água na superfície da Terra.” (Integrated Principles of Zoology, 7.a edição) Sem água, a vida na Terra não poderia ter surgido.

Acredita no que vê?
  Muitas pessoas razoáveis aceitam a existência de coisas que não podem ver. Em janeiro de 1997, a revista Discover publicou que os astrônomos haviam detectado o que eles concluíram ser cerca de uma dúzia de planetas orbitando estrelas distantes.
  “Até agora esses novos planetas só são conhecidos pela maneira como suas gravidades interferem no movimento das estrelas-mães.” Sim, para os astrônomos, os efeitos visíveis da gravitação constituíram base para crer na existência de corpos celestes não vistos.
  Evidências relacionadas — não a observação direta — foi uma base adequada para os cientistas aceitarem o que ainda era invisível. Muitos que crêem num Criador concluem que têm base similar para aceitar a existência do que não podem ver.

  Sir Fred Hoyle explica em The Nature of the Universe: “Para fugir da questão da criação seria necessário que toda a matéria do Universo fosse infinitamente velha, o que ela não pode ser. . . . O hidrogênio é constantemente convertido em hélio e em outros elementos . . . Como se dá, então, que o Universo consiste quase só de hidrogênio? Se a matéria fosse infinitamente velha isso seria totalmente impossível. Vemos assim que, pelo que o Universo é, a questão da criação não pode ser simplesmente ignorada.”

Apêndice
“Unidades arquiteturais do Universo”
É assim que uma moderna enciclopédia de ciência chama os elementos químicos. Há uma variedade espantosa entre os elementos da Terra; alguns são raros, outros abundantes. Certos elementos, como o ouro, são atraentes para o olho humano. Outros são gases que nem sequer vemos, como o nitrogênio e o oxigênio. Cada elemento é feito de certo tipo de átomo. A construção dos átomos e a relação deles entre si revelam economia e espantosa organização, numa ordem semelhante à de um gráfico.
Uns 300 anos atrás, conheciam-se apenas 12 elementos: antimônio, arsênio, bismuto, carbono, chumbo, cobre, enxofre, estanho, ferro, mercúrio, ouro e prata. Com a descoberta de novos elementos, os cientistas notaram que estes refletiam uma ordem bem definida. Visto que havia lacunas nessa ordem, cientistas como Mendeleyev, Ramsay, Moseley e Bohr teorizaram a existência de elementos desconhecidos e suas características. Com o tempo esses elementos foram descobertos, exatamente conforme fora predito. Como podiam esses cientistas prever a existência de formas de matéria ainda desconhecidas na época?
Bem, os elementos seguem uma ordem numérica natural, baseada na estrutura de seus átomos. É uma lei comprovada. Assim, os livros escolares podem apresentar uma tabela periódica de elementos em linhas horizontais e em colunas — hidrogênio, hélio, e assim por diante.
A McGraw-Hill Encyclopedia of Science & Technology observa: “Poucas sistematizações na história da ciência rivalizam-se com o conceito periódico como ampla revelação da ordem do mundo físico. . . . Quaisquer elementos novos que venham a ser descobertos no futuro com certeza encontrarão um lugar no sistema periódico, ajustando-se à sua respectiva ordem e revelando as peculiares características familiais.”
Quando os elementos são dispostos nas linhas horizontais e nas colunas da tabela periódica, observa-se uma relação notável entre os elementos que aparecem numa mesma coluna. Por exemplo, na última coluna estão hélio (N.° 2), neônio (N.° 10), argônio (N.° 18), criptônio (N.° 36), xenônio (N.° 54) e radônio (N.° 86). São gases que brilham intensamente quando atravessados por uma descarga elétrica e são usados em certas lâmpadas. Também, eles não interagem facilmente com vários outros elementos, como fazem outros gases.
Sim, o Universo — mesmo nas suas ínfimas partículas atômicas — revela espantosa harmonia e ordem. O que é responsável por essa ordem, harmonia e variedade nos blocos de construção do Universo?

Tabela periódica dos elementos
A ordem e a harmonia dos elementos na tabela periódica refletem mero acaso ou projeto inteligente?
METAIS
AMETAIS
GASES RAROS
ELEMENTOS DE TRANSIÇÃO
Série dos lantanídeos
Série dos actinídeos
I   II   III   IV   V   VI   VII   VIII
Nome do elemento   Símbolo   Número atômico
hidrogênio            H            1
hélio                 He           2
lítio                 Li           3
berílio               Be           4
boro                  B            5
carbono               C            6
nitrogênio            N            7
oxigênio              O            8
flúor                 F            9
neônio                Ne          10
sódio                 Na          11
magnésio              Mg          12
alumínio              Al          13
silício               Si          14
fósforo               P           15
enxofre               S           16
cloro                 Cl          17
argônio               Ar          18
potássio              K           19
cálcio                Ca          20
escândio              Sc          21
titânio               Ti          22
vanádio               V           23
cromo                 Cr          24
manganês              Mn          25
ferro                 Fe          26
cobalto               Co          27
níquel                Ni          28
cobre                 Cu          29
zinco                 Zn          30
gálio                 Ga          31
germânio              Ge          32
arsênio               As          33
selênio               Se          34
bromo                 Br          35
criptônio             Kr          36
rubídio               Rb          37
Estrôncio             Sr          38
ítrio                 Y           39
zircônio              Zr          40
nióbio                Nb          41
molibdênio            Mo          42
tecnécio              Tc          43
rutênio               Ru          44
ródio                 Rh          45
paládio               Pd          46
prata                 Ag          47
cádmio                Cd          48
índio                 In          49
estanho               Sn          50
antimônio             Sb          51
telúrio               Te          52
iodo                  I           53
xenônio               Xe          54
césio                 Cs          55
bánio                 Ba          56
lantânio              La          57
cério                 Ce          58
praseodímio           Pr          59
neodímio              Nd          60
promécio              Pm          61
samário               Sm          62
európio               Eu          63
gadolínio             Gd          64
térbio                Tb          65
disprósio             Dy          66
hólmio                Ho          67
érbio                 Er          68
túlio                 Tm          69
itérbio               Yb          70
lutécio               Lu          71
háfnio                Hf          72
tântalo               Ta          73
tungstênio            W           74
rênio                 Re          75
ósmio                 Os          76
irídio                Ir          77
platina               Pt          78
ouro                  Au          79
mercúrio              Hg          80
tálio                 Tl          81
chumbo                Pb          82
bismuto               Bi          83
polônio               Po          84
astatínio             At          85
radônio               Rn          86
frâncio               Fr          87
rádio                 Ra          88
actínio               Ac          89
tório                 Th          90
protactínio           Pa          91
urânio                U           92
netúnio               Np          93
plutônio              Pu          94
amerício              Am          95
cúrio                 Cm          96
berquélio             Bk          97
califórnio            Cf          98
einstênio             Es          99
férmio                Fm         100
mendelévio            Md         101
nobélio               No         102
laurêncio             Lr         103
                                 104
                                 105
                                 106
                                 107
                                 108
                                 109 

Qual é a origem da vida?


Capítulo Três
Qual é a origem da vida?
A TERRA fervilha de vida. Do gelado Ártico à floresta amazônica, do deserto do Saara ao pantanal Everglades, do escuro leito oceânico aos reluzentes picos de montanha — a vida é abundante. E tem muito potencial de nos causar assombro.
A vida se apresenta em tipos, tamanhos e quantidades estonteantes. Um milhão de espécies de insetos povoa o nosso planeta. Nas águas que nos cercam nadam mais de 20.000 espécies de peixes — alguns do tamanho de um grão de arroz, outros do comprimento de um caminhão. Pelo menos 350.000 espécies de plantas — algumas exóticas, a maioria maravilhosas — enfeitam o solo. E mais de 9.000 espécies de pássaros voam acima de nós. Essas criaturas, incluindo o homem, formam o panorama e a sinfonia que chamamos de vida.
Ainda mais espantoso do que a agradável variedade de formas de vida, porém, é a profunda união que as interliga. Os bioquímicos, que estudam a fundo as criaturas da Terra, explicam que todas as coisas vivas — sejam amebas ou seres humanos — dependem de uma espantosa interação: o trabalho de equipe dos ácidos nucléicos (DNA e RNA) e das moléculas de proteína. Os intrincados processos que envolvem esses componentes ocorrem praticamente em todas as células do nosso corpo, assim como nas células de beija-flores, de leões e de baleias. Essa interação uniforme produz um belo mosaico de vida. Como surgiu essa orquestração de vida? Sim, qual é a origem da vida?
Provavelmente você aceita o fato de que houve um tempo em que não havia vida na Terra. A ciência concorda com isso, bem como muitos livros religiosos. Mesmo assim, talvez saiba que essas duas fontes — a ciência e a religião — divergem na explicação de como a vida começou na Terra.
Milhões de pessoas de todos os níveis culturais acreditam que um Criador inteligente, o Projetista original, produziu a vida na Terra. Em contraste, muitos cientistas dizem que a vida surgiu de matéria sem vida, através de sucessivas reações químicas, por mero acaso. Quem está certo?
Não devemos encarar esse assunto como distante de nós e de nossa busca de uma vida mais significativa. Como já mencionado, uma das perguntas mais fundamentais dos humanos tem sido: Como é que nós, seres humanos vivos, viemos a existir?
A maioria dos livros científicos concentra-se na adaptação e na sobrevivência das formas de vida, em vez de na questão mais central — a própria origem da vida. Talvez tenha notado que as tentativas de explicar a origem da vida em geral são feitas em forma de generalizações, tais como: ‘Por milhões de anos, moléculas em colisão de alguma maneira produziram a vida.’ Mas é isso realmente satisfatório? Isso significaria que, exposta à energia do Sol, a relâmpagos ou a vulcões, alguma matéria sem vida reagiu, organizou-se e, por fim, passou a viver — tudo isso sem ajuda orientada. Que enorme salto isso teria sido! De matéria sem vida para matéria viva! Poderia ter acontecido assim?
Na Idade Média, aceitar esse conceito talvez não fosse difícil, pois a geração espontânea (a noção de que a vida poderia ter surgido espontaneamente de matéria sem vida) era uma crença corrente. Finalmente, no século 17, o médico italiano Francesco Redi provou que os gusanos apareciam na carne estragada só depois de as moscas terem depositado ovos nela. Nenhum gusano surgia em carne fora do alcance das moscas. Se insetos do tamanho das moscas não surgiam simplesmente sozinhos, que dizer dos micróbios que continuavam a aparecer nos alimentos — cobertos ou não? Ainda que experimentos posteriores indicassem que os micróbios não surgiam espontaneamente, a questão continuou controversial. Daí veio o trabalho de Louis Pasteur.
Muitos conhecem o trabalho de Pasteur, que resolveu problemas ligados à fermentação e a doenças infecciosas. Ele também fez experiências para ver se formas de vida minúsculas poderiam surgir por si mesmas. Como talvez tenha lido, Pasteur demonstrou que até mesmo bactérias minúsculas não se formavam em água esterilizada protegida da contaminação. Em 1864, ele anunciou: “A doutrina da geração espontânea jamais se recuperará do golpe mortal desferido por essa experiência simples.” Isso ainda é verdade. Experimento algum produziu vida de matéria sem vida.
Como, então, poderia vir a existir vida na Terra? Tentativas modernas de responder a essa pergunta podem remontar aos anos 20, aos trabalhos do bioquímico russo Alexander I. Oparin. Ele e outros cientistas desde então têm produzido algo parecido com o texto de um drama de três atos, que representa o que supostamente ocorreu no palco do planeta Terra. O primeiro ato mostra os elementos, ou matérias-primas, da Terra virarem grupos de moléculas. Em seguida, o salto para moléculas maiores. E o último ato apresenta o salto para a primeira célula viva. Mas foi realmente assim que tudo aconteceu?
Nesse drama, é fundamental explicar que a atmosfera primitiva da Terra era muito diferente do que é hoje. Segundo certa teoria, praticamente não havia oxigênio livre, e os elementos nitrogênio, hidrogênio e carbono formaram o amoníaco e o metano. A idéia é que, quando os relâmpagos e a luz ultravioleta caíram sobre uma atmosfera formada por esses gases e vapor de água, surgiram açúcares e aminoácidos. Mas tenha em mente que é uma teoria.
Nesse drama teórico, essas formas moleculares escorreram para os oceanos ou para outros corpos de água. Com o tempo, os açúcares, os ácidos e os outros componentes formaram um caldo de “sopa pré-biótica”, na qual os aminoácidos, por exemplo, combinaram-se e viraram proteínas. Estendendo essa progressão teórica, outros componentes, os nucleotídeos, formaram cadeias e viraram ácido nucléico, como o DNA. Tudo isso, supostamente, preparou o cenário para o ato final do drama molecular.
Pode-se chamar esse último ato, de que não se tem registro, de história de amor. As moléculas de proteína e as moléculas do DNA encontraram-se por acaso, houve compatibilidade e elas se uniram. Daí, pouco antes de fechar as cortinas, nasce a primeira célula viva. Se você viesse acompanhando esse drama, talvez se perguntasse: ‘Isso é vida real ou ficção? Poderia a vida na Terra realmente ter-se originado dessa maneira?’
Gênese em laboratório?
No início dos anos 50, os cientistas resolveram testar a teoria de Alexander Oparin. Era um fato estabelecido que vida vem apenas de vida, mas os cientistas teorizavam que, se as condições fossem diferentes no passado, a vida poderia ter surgido lentamente de algo sem vida. Poderia ser demonstrado isso? O cientista Stanley L. Miller, do laboratório de Harold Urey, tomou hidrogênio, amoníaco, metano e vapor de água (presumindo ser esta a constituição da atmosfera primitiva), lacrou-os num frasco com água fervente no fundo (para representar um oceano), e disparou faíscas elétricas (como relâmpagos) através dos vapores. Depois de uma semana apareceram vestígios de uma goma avermelhada, que Miller analisou e descobriu ser rica em aminoácidos — a essência das proteínas. É provável que você tenha ouvido falar dessa experiência, pois há anos ela é mencionada em livros de ciência e nas escolas para explicar como a vida na Terra começou. Explica mesmo?
Na verdade, o valor da experiência de Miller é seriamente questionado hoje em dia. (Veja “Clássica, mas questionável”, páginas 36-7.) Não obstante, seu sucesso aparente levou a outros testes que até mesmo produziram componentes encontrados em ácidos nucléicos (DNA ou RNA). Especialistas no campo (às vezes chamados de cientistas da origem-da-vida) estavam otimistas, pois aparentemente haviam reproduzido o primeiro ato do drama molecular. E parecia que as versões em laboratório dos dois atos restantes se seguiriam. Certo professor de Química afirmou: “A explicação da origem de um primitivo sistema de vida por meio de mecanismos evolucionários está bem à vista.” E um articulista científico observou: “Os magos especulavam que os cientistas, como o Dr. Frankenstein de Mary Shelley, num passe de mágica logo fariam surgir organismos vivos em seus laboratórios e, assim, demonstrar em detalhes como se deu a gênese.” O mistério da origem espontânea da vida, muitos achavam, estava desvendado. — Veja “Direita, esquerda”, página 38.
Mudam as opiniões, persistem os enigmas
Em anos posteriores, porém, esse otimismo se evaporou. Passaram-se décadas, e os segredos da vida continuam esquivos. Uns 40 anos depois de seu experimento, o professor Miller disse à revista Scientific American: “O problema da origem da vida revelou ser muito mais difícil do que eu, e a maioria das outras pessoas, imaginava.” Outros cientistas também mudaram de opinião. Por exemplo, em 1969, o professor de Biologia Dean H. Kenyon foi co-autor do livro Biochemical Predestination (Predestinação Bioquímica). Mais recentemente, porém, ele concluiu que seria “fundamentalmente implausível que matéria e energia não-assistidas se organizassem em sistemas vivos”.
De fato, os trabalhos de laboratório comprovam a afirmação de Kenyon de que existe “uma falha fundamental em todas as teorias correntes a respeito das origens químicas da vida”. Depois que Miller e outros sintetizaram aminoácidos, os cientistas passaram a tentar fabricar proteínas e DNA, necessários para a vida na Terra. Após milhares de experiências com as chamadas condições pré-bióticas, qual foi o resultado? O livro “O Mistério da Origem da Vida: Reavaliando Teorias Correntes” (em inglês), observa: “Há um contraste impressionante entre o considerável sucesso em sintetizar aminoácidos e o persistente fracasso de sintetizar proteínas e DNA.” Os empenhos nesse último sentido são “fracassos constantes”.
Realisticamente, o mistério envolve mais do que como surgiram as primeiras moléculas de proteína e de ácido nucléico (DNA ou RNA). Inclui como é que elas trabalham juntas. “É somente pela parceria dessas duas moléculas que a vida contemporânea na Terra é possível”, diz The New Encyclopædia Britannica. Contudo, como essa parceria se formou, observa essa enciclopédia, ainda é “um problema crucial e não-resolvido na questão da origem da vida”. Sem dúvida.
O Apêndice A, “Equipe a serviço da vida” (páginas 45-7), considera alguns detalhes básicos do instigante trabalho de equipe das proteínas e dos ácidos nucléicos nas nossas células. Mesmo esse relance no âmbito das células do nosso corpo desperta admiração pelo trabalho de cientistas nesse campo. Eles têm lançado luz sobre processos extremamente complexos nos quais poucos de nós sequer pensam, processos que, no entanto, funcionam todo instante de nossa vida. De outro ângulo, porém, a espantosa complexidade e precisão exigidas leva-nos de novo à pergunta: Como é que tudo isso surgiu?
Talvez saiba que os cientistas da origem-da-vida não cessam de tentar criar um cenário plausível para o drama do surgimento da vida. No entanto, seus novos textos não estão sendo convincentes. (Veja o Apêndice B, “Do ‘mundo do RNA’ ou de outro mundo?”, página 48.) Por exemplo, Klaus Dose, do Instituto de Bioquímica em Mainz, Alemanha, observou: “No presente, todas as discussões sobre as teorias e experiências principais nesse campo acabam em impasse ou em admissão de desconhecimento.”
Mesmo na Conferência Internacional sobre a Origem da Vida, em 1996, nenhuma solução foi apresentada. Em vez disso, a revista Science publicou que os cerca de 300 cientistas reunidos “haviam-se digladiado com o enigma de como surgiram as moléculas do [DNA e RNA] e como evoluíram em células auto-reprodutoras”.
Foi preciso inteligência e educação superior para estudar e até mesmo começar a explicar o que ocorre a nível molecular nas nossas células. É razoável crer que etapas complicadas ocorreram primeiro numa “sopa pré-biótica”, sem direção, espontaneamente e por acaso? Ou havia mais envolvido?
Por que os enigmas?
A pessoa hoje pode repassar quase meio século de especulações e milhares de tentativas de provar que a vida originou-se por si mesma. Se fizer isso, será difícil discordar do prêmio Nobel Francis Crick. Discorrendo sobre teorias da origem da vida, Crick observou que “há demasiada especulação em cima de fatos escassos demais”. Portanto, é compreensível que alguns cientistas que examinam os fatos concluam que a vida é complexa demais para despontar mesmo num sofisticado laboratório, muito menos num ambiente sem controle.
Se a ciência avançada não pode provar que a vida poderia surgir por si mesma, por que alguns cientistas ainda se apegam a tais teorias? Algumas décadas atrás, o professor John D. Bernal lançou alguma luz sobre isso no livro The Origin of Life (A Origem da Vida): “Pela aplicação dos estritos cânones [regras] do método científico a esse assunto [a geração espontânea da vida], é possível demonstrar eficazmente em vários pontos na história que a vida não poderia ter surgido [espontaneamente]; as improbabilidades são grandes demais, as chances da emergência de vida são pequenas demais.” Ele acrescentou: “Lamentável desse ponto de vista, a vida existe aqui na Terra em toda a sua multiplicidade de formas e atividades, e os argumentos para justificar a sua existência precisam ser distorcidos.” E o quadro não melhorou.
Considere as implicações subjacentes de tal raciocínio. É como dizer: ‘Cientificamente é correto dizer que a vida não poderia ter começado por si mesma. Mas o surgimento espontâneo da vida é a única possibilidade que aceitamos. Assim, é preciso distorcer os argumentos para apoiar a hipótese de que a vida surgiu espontaneamente.’ Fica satisfeito com essa lógica? Não exige tal raciocínio muita ‘distorção’ dos fatos?
Existem, no entanto, cientistas cultos e respeitados que não acham necessário distorcer os fatos para ajustá-los a uma filosofia corrente a respeito da origem da vida. Em vez disso, permitem que os fatos apontem para uma conclusão razoável. Que fatos e que conclusão?
Informações e inteligência
Entrevistado num documentário, o professor Maciej Giertych, renomado geneticista do Instituto de Dendrologia da Academia Polonesa de Ciências, declarou:
“Estamos cientes da quantidade maciça de informações contidas nos genes. A ciência não sabe como tais informações poderiam ter surgido espontaneamente. É preciso uma inteligência; não poderiam ter surgido de casualidades. Simplesmente misturar letras não produz palavras.” Ele acrescentou: “Por exemplo, o complexíssimo sistema de duplicação de proteínas do DNA e do RNA na célula tinha de ser perfeito logo de início. Senão, os sistemas de vida não poderiam existir. A única explicação lógica é que essa massa de informações originou-se de uma inteligência.”
Quanto mais se aprende sobre as maravilhas da vida, mais lógico é aceitar esta conclusão: a origem da vida requer uma fonte inteligente. Que fonte?
Como já mencionado, milhões de indivíduos cultos concluem que a vida na Terra só poderia ter sido produzida por uma inteligência superior, um projetista. Sim, depois de um exame imparcial, eles concordam que, mesmo na nossa era científica, é razoável dar razão ao poeta bíblico que, há muito, disse sobre Deus: “Contigo está a fonte da vida.” — Salmo 36:9.
Quer você já tenha, quer não, formado uma opinião firme a respeito, voltemos a nossa atenção para algumas maravilhas que envolvem você pessoalmente. Fazer isso é muito gratificante, e pode iluminar muito esse assunto que afeta a nossa vida.


Muitos cientistas reconhecem agora que as complexas moléculas, fundamentais para a vida, não poderiam ter sido geradas espontaneamente numa sopa pré-biótica

Mesmo um relance no mundo complexo e nas funções intrincadas de cada célula do corpo leva à pergunta: Como surgiu tudo isso?
Membrana celular
Controla o que entra e o que sai da célula
Núcleo
Centro de controle da célula
Cromossomos
Contêm o DNA, o plano-mestre genético
Ribossomos
Onde são feitas as proteínas
Nucléolo
Local de montagem dos ribossomos
Mitocôndrio
Centro de produção de moléculas que fornecem energia para a célula

Que chances tem o acaso?
  “O acaso, e somente o acaso, fez tudo — da sopa primordial ao homem”, disse o prêmio Nobel Christian de Duve, falando a respeito da origem da vida. É o acaso, porém, uma explicação racional para a causa da vida?
  O que é acaso? Alguns pensam em termos de probabilidade matemática, como no lançamento de uma moeda para o alto. Mas não é assim que muitos cientistas usam “acaso” com relação à origem da vida. A vaga palavra “acaso” é usada como substituta de uma palavra mais precisa, como “causa”, especialmente quando a causa é desconhecida.
  “Personificar o ‘acaso’, como se estivéssemos falando de um agente causativo”, observa o biofísico Donald M. MacKay, “é fazer uma transição ilegítima de um conceito científico para um conceito mitológico quase religioso”. Robert C. Sproul também destacou: “Por chamar há tanto tempo de ‘acaso’ a causa desconhecida, as pessoas começam a esquecer-se de que se fez uma substituição. . . . Para muitos, a suposição de que ‘acaso é igual a causa desconhecida’ veio a significar que ‘acaso é igual a causa’.”
  O prêmio Nobel Jacques L. Monod, por sua vez, usou esta linha de raciocínio acaso-igual-a-causa: “O mero acaso, absolutamente desimpedido, porém cego, [está] na própria base da estupenda estrutura da evolução”, escreveu. “O homem finalmente sabe que está sozinho na insensível imensidão do Universo, do qual ele surgiu apenas por acaso.” Note que ele diz: “POR acaso.” Monod faz como  muitos outros — eleva o acaso a um princípio criativo. O acaso é apresentado como meio pelo qual a vida veio a existir na Terra.
  Segundo certos dicionários, “acaso” é ‘o suposto determinante impessoal, sem objetivo, de inumeráveis acontecimentos’. Assim, quem diz que a vida surgiu por acaso está dizendo que ela surgiu por meio de um poder casual desconhecido. Não estariam alguns virtualmente escrevendo “Acaso” com inicial maiúscula — dizendo, na verdade, Criador?

  “[A menor bactéria que existe] é bem mais parecida com uma pessoa do que as misturas de substâncias químicas de Stanley Miller, porque a bactéria já tem essas propriedades de sistema. Portanto, passar de uma bactéria para uma pessoa é um passo menor do que passar de uma mistura de aminoácidos para essa bactéria.” — Professora de Biologia Lynn Margulis

Clássica, mas questionável
  A experiência de Stanley Miller, de 1953, muitas vezes é citada como evidência de que a geração espontânea poderia ter acontecido no passado. A validade de sua explicação, contudo, baseia-se na suposição de que a atmosfera primordial da Terra era “de redução”. Isso significa que continha apenas a menor quantidade de oxigênio livre (não-combinado quimicamente). Por quê?
  O livro “O Mistério da Origem da Vida: Reavaliando Teorias Correntes” (em inglês) destaca que, se houvesse muito oxigênio livre, ‘nenhum aminoácido poderia ter sido formado e, se por acaso fosse formado, se decomporia rapidamente’. Quão sólida foi a suposição de Miller a respeito da chamada atmosfera primitiva?
  Num documento clássico publicado dois anos depois de sua experiência, Miller escreveu: “É claro que essas idéias são especulações, pois não sabemos se a Terra realmente tinha uma atmosfera de redução quando foi formada. . . . Até agora não se achou nenhuma evidência direta.” — Journal of the American Chemical Society, 12 de maio de 1955.
  Encontrou-se mais tarde essa evidência? Uns 25 anos depois, o articulista científico Robert C. Cowen publicou: “Os cientistas estão tendo de repensar algumas de suas suposições. . . . Surgiram poucas evidências em apoio da noção de uma atmosfera rica em hidrogênio, altamente de redução; no entanto, há certas evidências contra ela.” — Technology Review, abril de 1981.
  E desde então? Em 1991, John Horgan escreveu em Scientific American: “Na última década, mais ou menos, aumentaram as dúvidas a respeito das suposições de Urey e Miller sobre a atmosfera. Experiências em laboratório e reconstruções computadorizadas da atmosfera . . . sugerem que a radiação ultravioleta do Sol, hoje bloqueada pelo ozônio atmosférico, teria destruído as moléculas à base de hidrogênio na atmosfera. . . . Tal atmosfera [dióxido de carbono e nitrogênio] não teria sido conducente à síntese de aminoácidos e de outros precursores da vida.”
  Por que, então, muitos ainda sustentam que a atmosfera primitiva da Terra era de redução, contendo pouco oxigênio? Em Molecular Evolution and the Origin of Life (Evolução Molecular e a Origem da Vida), Sidney W. Fox e Klaus Dose respondem: na atmosfera certamente não havia oxigênio porque, por um lado, “experiências em laboratório mostram que a evolução química . . . seria grandemente inibida pelo oxigênio” e porque componentes tais como os aminoácidos “não são estáveis no decurso de períodos geológicos na presença de oxigênio”.
  Não é isso um raciocínio evasivo? A atmosfera primitiva era de redução, diz-se, pois do contrário a geração espontânea da vida não poderia ter ocorrido. Mas realmente não existe certeza de que era de redução.
  Ainda há outro detalhe importante: se a mistura de gases representa a atmosfera, a faísca elétrica imita o relâmpago e a água fervente seria o mar — o que, ou a quem, representa o cientista que faz a experiência?

O oxigênio é altamente reativo. Por exemplo, ele se combina com o ferro e forma ferrugem, ou com o hidrogênio e forma água. Se houvesse muito oxigênio livre numa atmosfera quando os aminoácidos estivessem sendo montados, ele rapidamente se combinaria com as moléculas orgânicas e as desmancharia, à medida que fossem formadas.

Direita, esquerda
  Sabemos que existem luvas direita e esquerda. Dá-se o mesmo com as moléculas de aminoácidos. Dos cerca de 100 aminoácidos conhecidos, apenas 20 são usados em proteínas, e todos são esquerdos. Quando os cientistas produzem aminoácidos em laboratório, reproduzindo o que presumem ter acontecido numa sopa pré-biótica, eles apuram um número igual de moléculas direitas e esquerdas. “Esse tipo de distribuição 50-50”, diz o The New York Times, “não é característico de vida, que depende apenas de aminoácidos esquerdos”. Por que os organismos vivos se compõem de aminoácidos apenas esquerdos é “um grande mistério”. Até mesmo os aminoácidos encontrados em meteoritos “mostraram excessos de formas esquerdas”. O Dr. Jeffrey L. Bada, estudioso dos enigmas da origem da vida, disse que “alguma influência fora da Terra talvez tenha tido certa participação em determinar se os aminoácidos biológicos seriam direitos ou esquerdos”.

  “Essas experiências . . . reivindicam a produção de síntese abiótica que, na realidade, foi produzida e projetada por um ser humano muito inteligente e bem biótico numa tentativa de confirmar idéias com as quais ele estava grandemente comprometido.” — Origin and Development of Living Systems.

“Um ato intelectual voluntário”
  O astrônomo britânico Sir Fred Hoyle há décadas estuda o Universo e a vida nele, até mesmo esposando a idéia de que a vida na Terra veio do espaço sideral. Discursando no Instituto de Tecnologia da Califórnia, ele falou da ordem dos aminoácidos nas proteínas.
  “O grande problema na biologia”, disse Hoyle, “não é tanto a pura verdade que a proteína consiste de uma cadeia de aminoácidos interligados de certa maneira, mas que o arranjo explícito dos aminoácidos dá a essa cadeia propriedades notáveis . . . Se os aminoácidos fossem interligados a esmo, haveria um enorme número de arranjos inúteis aos objetivos de uma célula viva. Levando-se em conta que uma enzima típica tem uma cadeia de talvez 200 elos, e que existem 20 possibilidades para cada elo, é fácil ver que o número de possíveis arranjos inúteis é enorme, mais do que o número de átomos em todas as galáxias visíveis através dos maiores telescópios. Isso no caso de uma enzima, e existem mais de 2.000 delas, a maioria servindo a objetivos muito diferentes. Assim, como é que a situação chegou ao ponto que conhecemos?”
  Hoyle acrescentou: “Em vez de aceitar a fantasticamente pequena probabilidade de a vida ter surgido por meio das forças cegas da natureza, parecia melhor supor que a origem da vida foi um ato intelectual voluntário.”

  O professor Michael J. Behe disse: “Para quem não se vê obrigado a restringir a sua busca a causas não-inteligentes, a conclusão taxativa é que muitos sistemas bioquímicos foram projetados. Não foram projetados pelas leis da natureza, nem por acaso e necessidade; eles foram planejados. . . . A vida na Terra, no seu nível mais fundamental, nos seus componentes mais críticos, é produto de atividade inteligente.”