Capítulo Sete
O que um livro pode
ensinar-lhe a respeito do Criador?
PROVAVELMENTE
você concorda que um livro informativo e interessante é de grande valor. A
Bíblia é um livro assim. Nele você encontra cativantes histórias reais que
destacam elevados valores morais. Encontra também ilustrações vívidas de
verdades importantes. Um de seus escritores, famoso por sua sabedoria, disse
que “procurou achar palavras deleitosas e a escrita de palavras corretas de verdade”.
— Eclesiastes 12:10.
O
livro que chamamos de “Bíblia” é, na verdade, uma coleção de 66 livros menores
escritos num espaço de mais de 1.500 anos. Por exemplo, entre 1513 e 1473 AEC
Moisés escreveu os primeiros cinco livros, começando com Gênesis. João, um
apóstolo de Jesus, foi o último escritor bíblico. Ele escreveu um relato da
vida de Jesus (O Evangelho de João), além de cartas mais breves e o livro
de Apocalipse (ou Revelação), que aparece como último livro na maioria das
Bíblias.
Durante
os 1.500 anos desde Moisés até João, umas 40 pessoas participaram na escrita da
Bíblia. Eram homens sinceros e devotos, interessados em ajudar outros a
aprender sobre o Criador. Seus escritos ajudam-nos a conhecer a personalidade
de Deus e a aprender como agradá-lo. A Bíblia esclarece também por que existe
tanta perversidade no mundo e como será eliminada. Os escritores bíblicos
apontaram para o tempo em que a humanidade viverá mais diretamente sob o
domínio de Deus, e descreveram algumas das condições emocionantes que poderemos
usufruir então. — Salmo 37:10, 11; Isaías 2:2-4; 65:17-25; Revelação
21:3-5.
Provavelmente
você sabe que muitos desprezam a Bíblia, considerando-a um livro antigo de
sabedoria humana. Contudo, milhões de pessoas estão convictas de que seu verdadeiro
Autor é Deus, que ele guiou os pensamentos de seus escritores. (2 Pedro
1:20, 21) Como se pode saber se aquilo que os escritores bíblicos escreveram
realmente vem de Deus?
Bem,
há diversas linhas de evidência convergentes que podem ser consideradas. Muitos
fizeram isso e concluíram que a Bíblia é mais do que um mero livro humano e que
a sua fonte é sobre-humana. Ilustremos isso com uma única linha de evidência.
Ao fazermos isso, podemos aprender mais acerca do Criador do Universo, a Fonte
da vida humana.
Predições cumpridas
Muitos
dos escritores bíblicos registraram profecias. Longe de afirmarem que podiam
pessoalmente prever o futuro, esses escritores atribuíram o crédito ao Criador.
Por exemplo, Isaías identificou a Deus como “Aquele que desde o princípio conta
o final”. (Isaías 1:1; 42:8, 9; 46:8-11) A capacidade de predizer eventos com
décadas, ou mesmo séculos, de antecedência distingue o Deus de Isaías como
único. Ele não é mero ídolo, como aqueles que as pessoas no passado e no
presente têm adorado. As profecias da Bíblia nos dão provas convincentes de que
ela não é de autoria humana. Veja como o livro de Isaías confirma isso.
Uma
comparação do conteúdo de Isaías com os dados históricos mostra que esse livro
foi escrito por volta de 732 AEC. Isaías predisse calamidades para os
habitantes de Jerusalém e de Judá, porque eram culpados de derramamento de
sangue e de idolatria. Predisse também que a terra deles seria devastada, que
Jerusalém e seu templo seriam destruídos e que os sobreviventes seriam levados
como prisioneiros para a Babilônia. Mas Isaías profetizou também que Deus não
se esqueceria dessa nação prisioneira. O livro predisse que um rei estrangeiro,
chamado Ciro, conquistaria Babilônia e libertaria os judeus para que
retornassem à sua terra natal. De fato, Isaías refere-se a Deus como “Aquele
que diz a respeito de Ciro: ‘Ele é meu pastor e executará completamente tudo
aquilo em que me agrado’; dizendo eu de Jerusalém: ‘Ela será reconstruída’, e
do templo: ‘Lançar-se-á teu alicerce.’ ” — Isaías 2:8; 24:1; 39:5-7;
43:14; 44:24-28; 45:1.
Nos
dias de Isaías, no oitavo século AEC, tais predições podiam parecer
inacreditáveis. Naquele tempo, Babilônia não era nem mesmo uma potência militar
significativa. Estava sujeita à verdadeira potência mundial da época, o Império
Assírio. Deve ter sido estranha também a idéia de que um povo conquistado, que
fora levado a uma terra distante como exilados, pudesse ser libertado e
recuperar a sua terra. “Quem é que já ouviu uma coisa destas?”, Isaías escreveu.
— Isaías 66:8.
No
entanto, o que vemos se avançarmos dois séculos? A história posterior dos
judeus antigos provou que a profecia de Isaías cumpriu-se em detalhes. Babilônia
de fato tornou-se poderosa, e destruiu Jerusalém. O nome do rei persa (Ciro), a
sua posterior conquista de Babilônia e o retorno dos judeus são fatos
históricos aceitos. Os detalhes profetizados cumpriram-se com tanta precisão
que, no século 19, alguns críticos afirmavam que o livro de Isaías era uma
farsa. Com efeito, diziam: ‘Isaías talvez tenha escrito os primeiros capítulos;
mas um escritor posterior, nos dias do Rei Ciro, completou a escrita do livro
de modo que parecesse profético.’ Alguém pode fazer esses comentários
depreciativos, mas quais são os fatos?
Predições genuínas?
As predições
no livro de Isaías não se limitam a eventos envolvendo Ciro e os judeus
exilados. Ele predisse também a situação final de Babilônia, e seu livro
forneceu muitos detalhes sobre um vindouro Messias, ou Libertador, que sofreria
e depois seria glorificado. Pode-se provar que essas predições foram escritas
com muita antecedência, sendo, portanto, profecias genuínas?
Considere
o seguinte. Isaías escreveu sobre a situação final de Babilônia: “Babilônia,
ornato dos reinos, beleza do orgulho dos caldeus, terá de tornar-se como quando
Deus derrubou Sodoma e Gomorra. Nunca mais será habitada, nem residirá ela por
geração após geração.” (Isaías 13:19, 20; capítulo 47) O que realmente
aconteceu?
Os
fatos mostram que Babilônia por muito tempo dependia de um complexo sistema de
irrigação, formado por represas e canais entre os rios Tigre e Eufrates. Pelo
visto, esse sistema aquático foi danificado por volta de 140 AEC, na
destrutiva conquista de Babilônia pela Pártia, e ficou praticamente arruinado.
Com que resultado? A The Encyclopedia Americana
explica: “O solo ficou saturado de sais minerais, e formou-se uma crosta
de álcali sobre a superfície, impossibilitando o seu uso agrícola.” Uns 200
anos depois, Babilônia ainda era uma cidade populosa, mas isso não durou muito
tempo. (Note 1 Pedro 5:13.) Por volta do terceiro século EC, o
historiador Dio Cássio (c.150-235 EC) falou de um visitante que só
encontrou “montes de terra, pedras e ruínas” em Babilônia. (LXVIII, 30)
Significativamente, nessa época Isaías já estava morto e seu livro completo já
circulava há séculos. E, se você visitar Babilônia hoje em dia, verá apenas
ruínas dessa ex-cidade gloriosa. Embora cidades antigas como Roma, Jerusalém e
Atenas sobrevivessem até os nossos dias, Babilônia jaz desolada, desabitada,
uma ruína; exatamente como Isaías predisse. A predição cumpriu-se.
Focalizemos
agora o que Isaías disse acerca do vindouro Messias. Segundo Isaías 52:13, esse
servo especial de Deus por fim ‘alcançaria um alto posto e seria muitíssimo
exaltado’. Contudo, o capítulo seguinte (Isaías 53) profetizou que, antes de
sua exaltação, o Messias passaria por uma experiência espantosamente diferente.
Você talvez se surpreenda com os detalhes registrados nesse capítulo,
amplamente reconhecido como profecia messiânica.
Como
poderá ler ali, o Messias seria desprezado por seus compatriotas. Certo de que
isso ocorreria, Isaías escreveu como se já tivesse acontecido: “Ele foi
desprezado e evitado pelos homens.” (Versículo 3) Esses maus-tratos seriam
totalmente injustificados, pois o Messias faria o bem ao povo. “Foram as nossas
doenças que ele mesmo carregou”, foi como Isaías descreveu as curas do Messias.
(Versículo 4) Apesar disso, o Messias seria julgado e condenado
injustamente, permanecendo, no entanto, em silêncio perante seus acusadores.
(Versículos 7, 8) Ele deixar-se-ia entregar para ser morto ao lado de
criminosos; durante a sua execução, seu corpo seria traspassado. (Versículos 5,
12) Apesar de morrer como se fosse criminoso, seria sepultado como rico. (Versículo 9)
E Isaías declarou repetidas vezes que a morte injusta do Messias teria valor
expiatório, cobrindo os pecados de outros humanos. — Versículos 5, 8,
11, 12.
Tudo
isso realmente aconteceu. Os eventos registrados por contemporâneos de Jesus
— Mateus, Marcos, Lucas e João — confirmam que as predições de Isaías
realmente aconteceram. Alguns dos eventos ocorreram depois da morte de Jesus,
de modo que este não poderia ter manipulado as situações. (Mateus 8:16, 17;
26:67; 27:14, 39-44, 57-60; João 19:1, 34) O cumprimento total das profecias
messiânicas de Isaías tem tido um efeito poderoso sobre os leitores sinceros da
Bíblia ao longo dos séculos, incluindo alguns que antes não aceitavam Jesus. O
erudito William Urwick observa: “Muitos judeus, ao porem por escrito a razão de
sua conversão ao cristianismo, reconheceram que foi a leitura atenta desse
capítulo [Isaías 53] que abalou a fé que tinham nos seus velhos credos e
mestres.” — The Servant of Jehovah.
Urwick
fez essa observação em fins dos anos 1800, quando alguns talvez ainda
duvidassem que o capítulo 53 de Isaías realmente tivesse sido escrito séculos
antes do nascimento de Jesus. Contudo, descobertas posteriores removeram
essencialmente qualquer base para dúvida. Em 1947, perto do mar Morto, um
pastor beduíno encontrou um antigo rolo do livro inteiro de Isaías. Peritos em
escrita antiga concluíram que o rolo era de uma data entre 125 e 100 AEC.
Daí, em 1990, uma análise à base de carbono 14 fixou o período de 202 a 107 AEC. Sim, esse
famoso rolo de Isaías já era bem antigo quando Jesus nasceu. O que revela uma
comparação dele com as Bíblias modernas?
Se
você visitar Jerusalém, poderá ver fragmentos dos Rolos do Mar Morto. Numa
gravação, o arqueólogo e professor Yigael Yadin explica: “Não se passaram mais
do que uns quinhentos ou seiscentos anos entre o proferimento das palavras de
Isaías e a cópia nesse rolo, feita no segundo século AC. É espantoso que
— embora tenha mais de 2.000 anos — esse rolo original no museu tenha
tanta similaridade com a Bíblia que lemos hoje, seja em hebraico, seja nas
traduções do original.”
Obviamente,
isso devia afetar o nosso conceito. A respeito de quê? Bem, não devia restar
nenhuma dúvida crítica de que o livro de Isaías não é profecia escrita depois
do acontecido. Existem hoje provas científicas de que uma cópia dos escritos de
Isaías foi feita bem mais de cem anos antes de Jesus nascer, e muito antes da
desolação de Babilônia. Assim, que dúvida pode haver de que os escritos de
Isaías predisseram tanto o destino final de Babilônia como os sofrimentos
injustos, o tipo de morte e o tratamento dispensado ao Messias? E os fatos
históricos eliminam qualquer base para negar que Isaías tenha predito com
exatidão o cativeiro dos judeus e sua libertação de Babilônia. Essas predições
cumpridas constituem apenas uma das muitas linhas de evidência de que o
verdadeiro autor da Bíblia é o Criador, e de que a Bíblia é “inspirada por
Deus”. — 2 Timóteo 3:16.
Há
muitas outras indicações de que a Bíblia é de autoria divina. Entre estas, a
exatidão da Bíblia em astronomia, geologia e medicina; a harmonia interna de
seus livros, escritos por dezenas de homens ao longo de centenas de anos; sua
harmonia com muitos fatos da história secular e da arqueologia; e seu código
moral que era superior aos códigos de povos vizinhos daqueles tempos, e que
ainda hoje é reconhecido como sem igual. Estas e outras linhas de evidência têm
convencido inúmeras pessoas diligentes e sinceras de que a Bíblia é
legitimamente um livro que procede do nosso Criador.
Isso
também pode ajudar-nos a tirar algumas conclusões válidas a respeito do Criador
— ajudando-nos a conhecer as suas qualidades. Não prova a sua capacidade
de olhar à frente no tempo que ele tem capacidades perceptivas que nós,
humanos, não temos? Os humanos não sabem o que acontecerá no futuro distante,
tampouco podem controlá-lo. O Criador pode. Ele pode tanto prever o futuro como
ordenar os eventos para que se cumpra a sua vontade. Apropriadamente, Isaías
descreve o Criador como “Aquele que desde o princípio conta o final e desde
outrora as coisas que não se fizeram; Aquele que diz: ‘Meu próprio conselho
ficará de pé e farei tudo o que for do meu agrado.’” — Isaías 46:10;
55:11.
Conheça melhor o Autor
Nós
chegamos a conhecer uma pessoa conversando com ela e vendo como ela reage a
diferentes circunstâncias. Esses dois métodos são possíveis quando se trata de
conhecer outros humanos, mas como conhecer o Criador? Não podemos conversar
diretamente com ele. Mas, como já vimos, ele revela muito sobre si mesmo na
Bíblia — tanto pelo que disse como pelo que fez. Ademais, esse livro ímpar
realmente nos convida a cultivar uma relação com o Criador. Ele nos exorta:
“Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós.” — Tiago 2:23; 4:8.
Considere
um passo inicial: se você deseja ser amigo de alguém, com certeza desejará
saber o seu nome. Bem, qual é o nome do Criador, e o que seu nome revela a Seu
respeito?
A
parte da Bíblia em hebraico (em geral chamada de Velho Testamento), fornece-nos
o nome ímpar do Criador. É representado nos manuscritos antigos por quatro
consoantes hebraicas que podem ser transliteradas por YHWH ou JHVH. O nome do
Criador aparece cerca de 7.000 vezes, muito mais vezes do que os títulos Deus
ou Senhor. Por muitos séculos, quem lia a Bíblia em hebraico usava esse nome
pessoal. Com o tempo, porém, muitos judeus desenvolveram um medo supersticioso
de pronunciar o nome divino, de modo que não preservaram a sua pronúncia.
“A
pronúncia original acabou se perdendo; tentativas modernas de recuperação são
conjecturais”, diz um comentário judaico sobre Êxodo. Admitidamente, não
podemos saber ao certo como Moisés pronunciava o nome divino, que encontramos
em Êxodo 3:16 e 6:3. Mas quem, objetivamente falando, se sentiria hoje obrigado
a tentar pronunciar o nome de Moisés ou o de Jesus com o som e a entonação
exatos usados quando eles estiveram na Terra? Não obstante, não deixamos de nos
referir a Moisés e a Jesus por nome. O ponto é: em vez de nos interessarmos
demais em saber exatamente como um povo antigo que falava outro idioma
pronunciava o nome de Deus, por que não usar a pronúncia comum no nosso idioma?
Por exemplo, “Jehovah” ou “Jeová” é usado há séculos em português, e ainda é
amplamente aceito como o nome do Criador.
Mas
existe algo mais significativo do que detalhes acerca da pronúncia do nome.
Trata-se de seu significado. O nome em hebraico é uma forma causativa do verbo ha·wáh,
que significa “tornar-se” ou “mostrar ser”. (Gênesis 27:29; Eclesiastes 11:3) A
obra The Oxford Companion to the Bible
dá o significado de “ ‘ele causa’ ou ‘causará que seja’ ”. Assim,
podemos dizer que o nome pessoal do Criador significa literalmente “Ele Causa
que Venha a Ser”. Note que a ênfase não está nas atividades do Criador no
passado remoto, como alguns talvez tenham em mente ao usarem a expressão “Causa
Primária”. Por que não?
Porque
o nome divino relaciona-se com o que o Criador tenciona fazer. Os verbos
hebraicos têm basicamente apenas dois estados, e o estado envolvido no nome do
Criador “denota ações . . . em processo de desenvolvimento. Não
expressa mera continuidade de uma ação . . . mas o seu desenrolar
desde o seu princípio até o término”. (A Short
Account of the Hebrew Tenses) Sim, por meio
de seu nome, Jeová revela a si mesmo como ativo cumpridor de objetivos.
Aprendemos assim que — com ação progressiva — ele se torna o
Cumpridor de promessas. Muitos consideram uma alegria e um revigoramento saber
que o Criador sempre cumpre os Seus objetivos.
O
objetivo Dele — e o nosso
Ao
passo que o nome de Deus reflete objetivo, muitos acham difícil ver um objetivo
real na sua própria existência. Eles observam a humanidade passar de uma crise
para outra — guerras, desastres naturais, epidemias, pobreza e crime.
Mesmo os poucos privilegiados que de alguma forma escapam dos efeitos de tais
catástrofes não raro admitem ter dúvidas atormentadoras a respeito do futuro e
do sentido de suas vidas.
A
Bíblia observa: “O mundo físico foi sujeito à frustração, não por seu próprio
desejo, mas pela vontade do Criador, que, ao assim fazer, deu-lhe esperança de
que um dia poderá ser libertado . . . e ser levado a participar da
gloriosa liberdade dos filhos de Deus.” (Romanos 8:20, 21, The New
Testament Letters, de J. W. C. Wand) O relato em Gênesis mostra
que houve um tempo em que os humanos estavam em paz com o seu Criador. Reagindo
à má conduta humana, Deus com justiça sujeitou a humanidade a uma situação que,
de certa forma, produziu frustração. Vejamos como isso aconteceu, o que revela
acerca do Criador e o que podemos esperar do futuro.
Segundo
essa história escrita, que de muitas maneiras mostrou ser comprovável, os
primeiros humanos criados foram chamados de Adão e Eva. O relato mostra que
eles não foram deixados às cegas, sem objetivo nem instruções a respeito da
vontade de Deus. Como até mesmo qualquer pai humano prestimoso faria com seus
filhos, o Criador deu à humanidade instruções úteis. Ele lhes disse: “Sede
fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e tende em
sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e toda criatura
vivente que se move na terra.” — Gênesis 1:28.
Assim,
os primeiros humanos tinham um objetivo significativo na vida. Isso incluía
cuidar da ecologia da Terra e encher o globo com humanos responsáveis. (Note
Isaías 11:9.) Ninguém pode com justiça culpar o Criador pelo presente estado de
nosso planeta poluído, como se Ele tivesse dado aos humanos uma desculpa para
explorar e arruinar o globo. A palavra “sujeitar” não autorizava a exploração.
Significava cultivar e cuidar do planeta, confiado aos cuidados dos humanos.
(Gênesis 2:15) Ademais, eles teriam um futuro permanente para realizar essa
tarefa significativa. A sua perspectiva de nunca morrer é coerente com o fato
de que a capacidade cerebral dos humanos excede em muito o que se pode utilizar
plenamente numa vida de 70, 80, ou até 100 anos. O cérebro foi feito para ser
usado indefinidamente.
O
Deus Jeová, como produtor e diretor de sua criação, deu aos humanos certa
liberdade de ação com respeito a como cumpririam o Seu objetivo para com a
Terra e a humanidade. Não foi exigente nem restritivo demais. Por exemplo, ele
confiou a Adão o que seria a alegria de um zoólogo — a missão de estudar e
dar nome aos animais. Depois de observar as suas características, Adão deu
nomes, muitos deles descritivos. (Gênesis 2:19) Esse é apenas um exemplo de
como os humanos poderiam usar seus talentos e habilidades em conformidade com o
propósito de Deus.
Não
é difícil entender que o sábio Criador de todo o Universo poderia facilmente
manter o controle de qualquer situação na Terra, mesmo se os humanos
escolhessem um proceder tolo ou prejudicial. O registro histórico nos diz que
Deus deu uma só ordem restritiva a Adão: “De toda árvore do jardim podes comer
à vontade. Mas, quanto à árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau,
não deves comer dela, porque no dia em que dela comeres, positivamente
morrerás.” — Gênesis 2:16, 17.
Essa
ordem exigia que a humanidade reconhecesse o direito de Deus de ser obedecido.
Os humanos, desde o tempo de Adão até hoje, têm sido obrigados a aceitar a lei
da gravidade e a viver em harmonia com ela. Seria tolo e prejudicial não fazer
isso. Assim, por que deviam os humanos rejeitar viver em harmonia com outra
lei, ou ordem, da parte do generoso Criador? Ele deixou claro quais seriam as
conseqüências de se rejeitar sua lei, mas deu a Adão e Eva a opção de
obedecer-lhe voluntariamente. É fácil perceber nos relatos da primitiva
história do homem que o Criador permite aos humanos a liberdade de escolha. Mas
ele deseja que suas criaturas sejam supremamente felizes, o que é uma
conseqüência natural de viver em harmonia com as Suas boas leis.
Num
capítulo anterior vimos que o Criador produziu criaturas inteligentes
invisíveis — criaturas espirituais. A história do começo da humanidade
revela que um desses espíritos ficou obcecado com a idéia de usurpar a posição
de Deus. (Note Ezequiel 28:13-15.) Ele abusou da liberdade de escolha que Deus
permite e incitou os primeiros humanos ao que só podemos chamar de franca
rebelião. Por meio de um desafiador ato de desobediência direta — comerem
da “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau” — o primeiro casal
reivindicou sua independência do domínio de Deus. Mais ainda, a atitude deles
revelou que endossavam a afirmação de que o Criador privava os humanos do que é
bom. Era como se Adão e Eva exigissem decidir sozinhos o que é bom e o que é
mau — independentemente da avaliação do Criador.
Que
contra-senso seria se homens e mulheres decidissem que não gostam da lei da
gravidade e a desrespeitassem! Foi igualmente irracional da parte de Adão e Eva
terem rejeitado os padrões morais do Criador. Os humanos certamente devem
esperar conseqüências negativas de violar a lei básica de Deus que exige
obediência, da mesma forma que a lei da gravidade traz más conseqüências sobre
quem a viola.
A
História nos diz que Jeová agiu. No “dia” em que Adão e Eva rejeitaram
a vontade do Criador eles entraram em decadência, o que os levou à morte, como
Deus advertira. (Note 2 Pedro 3:8.) Isso revela mais um aspecto da
personalidade do Criador. Ele é um Deus justo, que não ignora pusilanimemente a
desobediência flagrante. Ele tem e segue padrões sábios e justos.
Coerente
com as suas notáveis qualidades, Deus com misericórdia não eliminou de imediato
a vida humana. Por que não? Por consideração à posteridade de Adão e Eva, que
ainda não havia nem sido concebida, e não era diretamente responsável pelo
proceder pecaminoso de seus ancestrais. Ter Deus se preocupado com a vida ainda
a ser concebida revela-nos que tipo de Criador ele é. Não é um juiz implacável,
sem sentimentos. Ele é justo, disposto a dar a todos uma oportunidade, e mostra
respeito pela santidade da vida humana.
Isso
não significa que as gerações humanas futuras viveriam sob as mesmas
circunstâncias deleitosas que o primeiro casal vivia. Pelo fato de o Criador
ter permitido que a descendência de Adão entrasse em cena, “o mundo físico
foi sujeito à frustração”. Mas não era uma frustração ou desesperança total.
Lembre-se de que Romanos 8:20, 21 diz também que o Criador “deu-lhe esperança
de que um dia poderá ser libertado”. Isso é algo que nos deve interessar.
Poderá encontrá-Lo?
Na
Bíblia, o inimigo que induziu o primeiro casal humano à rebelião chama-se
Satanás, o Diabo, que significa “Opositor” e “Caluniador”. Na sentença proferida
contra esse principal instigador de rebelião, Deus o classificou de inimigo,
mas lançou uma base para que os humanos futuros tivessem esperança. Deus disse:
“Porei inimizade entre ti [Satanás] e a mulher, e entre o teu descendente e o
seu descendente. Ele te machucará a cabeça e tu lhe machucarás o calcanhar.”
(Gênesis 3:15) Obviamente, trata-se de uma linguagem figurativa, ou
ilustrativa. O que significava a futura vinda de um “descendente”?
Outras
partes da Bíblia lançam luz sobre esse intrigante versículo. Elas mostram que
se relaciona com Jeová estar à altura de seu nome e ‘tornar-se’ o que for
necessário para cumprir seu objetivo com relação aos humanos na Terra. Ao fazer
isso, ele usou uma nação específica, e a história de seus tratos com essa nação
antiga constitui uma parte significativa da Bíblia. Consideremos brevemente
essa história importante. Com isso, poderemos aprender mais sobre as qualidades
do Criador. De fato, podemos aprender muitas coisas inestimáveis a Seu respeito
fazendo um exame adicional do livro que ele proveu para a humanidade, a Bíblia.
Note
Atos 8:26-38, onde Isaías 53:7, 8 é citado.
Para
detalhes sobre a origem da Bíblia, veja a brochura Um Livro para
Todas as Pessoas e o livro A Bíblia — Palavra
de Deus ou de Homem?, publicados pela
Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.
Séculos depois de a Bíblia ter
predito isso, a poderosa Babilônia tornou-se uma ruína desolada, e permanece
assim até hoje
Esse rolo de Isaías, copiado no
segundo século AEC, foi achado numa caverna perto do mar Morto. Ele
predisse em detalhes eventos que ocorreram centenas de anos depois de sua
escrita
Isaac
Newton formulou a lei da gravidade. As leis do Criador são razoáveis, e
obedecê-las é para o nosso bem



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