Capítulo Seis
Um antigo registro da
criação — pode-se confiar nele?
“QUEM
pode dizer de onde veio tudo isso, e como aconteceu a criação?” Esta pergunta é
feita no poema “O Cântico da Criação”. Composto em sânscrito há mais de
3.000 anos, faz parte do Rig-Veda, um livro sagrado hindu. O poeta
duvidava de que até mesmo os muitos deuses hindus soubessem “como aconteceu a
criação”, pois “os próprios deuses são posteriores à criação”. — O
grifo é nosso.
Escritos
de Babilônia e do Egito apresentam mitos similares acerca do nascimento de seus
deuses num Universo que já existia. Um ponto-chave, porém, é que esses mitos
não podiam informar de onde veio o Universo original. Você verá, contudo, que
há um registro da criação que é diferente. Esse registro, a Bíblia, começa
dizendo: “No princípio Deus criou os céus e a terra.” — Gênesis 1:1.
Moisés
escreveu essa declaração simples e vigorosa uns 3.500 anos atrás. Ela enfoca um
Criador, Deus, que já existia antes do Universo material, porque Ele o criou. O
mesmo livro ensina que “Deus é Espírito”, o que significa que ele existe numa
forma que os nossos olhos não podem enxergar. (João 4:24) Tal existência talvez
seja mais fácil de entender hoje, visto que os cientistas falam de poderosas
estrelas de nêutrons e buracos negros no espaço — objetos invisíveis que
são detectáveis pelos efeitos que produzem.
Significativamente,
a Bíblia relata: “Há corpos celestes e corpos terrestres; mas a glória dos
corpos celestes é de uma sorte e a dos corpos terrestres é de sorte diferente.”
(1 Coríntios 15:40, 44) Isso não se refere à invisível matéria cósmica que
os astrônomos estudam. Os “corpos celestes” mencionados são corpos espirituais
inteligentes. ‘Quem, além do Criador, tem um corpo espiritual?’, você talvez se
pergunte.
Criaturas celestiais invisíveis
Segundo
o registro bíblico, o domínio visível não foi a primeira coisa criada. Esse
antigo relato da criação diz que o primeiro ato de criação foi trazer à
existência outra pessoa espiritual, o Filho primogênito. Ele foi
“o primogênito de toda a criação”, ou “o princípio da criação de
Deus”. (Colossenses 1:15; Revelação [Apocalipse] 3:14) Esse primeiro indivíduo
criado era ímpar.
Ele
foi a única criação produzida diretamente por Deus, e foi dotado de grande
sabedoria. De fato, um escritor posterior, um rei famoso por sua própria
sabedoria, chamou esse Filho de “mestre-de-obras”, que participou de todas as
obras criativas subseqüentes. (Provérbios 8:22, 30; veja também Hebreus
1:1, 2.) Sobre ele, um instrutor do primeiro século chamado Paulo
escreveu: “Mediante ele foram criadas todas as outras coisas nos céus e na
terra, as coisas visíveis e as coisas invisíveis.” — Colossenses 1:16;
note João 1:1-3.
O
que são essas “coisas invisíveis” nos céus que o Criador produziu por meio
desse Filho? Embora os astrônomos falem de bilhões de estrelas e de invisíveis
buracos negros, a Bíblia nesse caso refere-se a centenas de milhões de
criaturas espirituais — com corpos espirituais. ‘Por quê?’, alguns talvez
se perguntem, ‘criar esses inteligentes seres invisíveis?’
Assim
como o estudo do Universo pode esclarecer algumas questões a respeito de sua
Causa, o estudo da Bíblia pode suprir-nos de informações importantes acerca de
seu Autor. Por exemplo, ela diz que ele é o “Deus feliz”, cujas intenções e
ações refletem amor. (1 Timóteo 1:11; 1 João 4:8) Portanto, podemos
concluir logicamente que Deus queria ter o companheirismo de outras pessoas
espirituais inteligentes que também usufruíssem a vida. Cada uma destas teria um
trabalho satisfatório a realizar, mutuamente benéfico, e que contribuiria para
os objetivos do Criador.
Nada
indica que essas criaturas espirituais obedeceriam a Deus como robôs. Ao
contrário, Deus dotou-as de inteligência e livre-arbítrio. Os relatos bíblicos
indicam que Deus incentiva a liberdade de pensamento e de ação — certo de
que isso não representa uma ameaça permanente à paz e à harmonia no Universo.
Paulo, usando o nome do Criador, como consta na Bíblia em hebraico, escreveu:
“Jeová é o Espírito; e onde estiver o espírito de Jeová, ali há liberdade.”
— 2 Coríntios 3:17.
Coisas visíveis nos céus
Quais
são as “coisas visíveis” que Deus criou por meio de seu Filho primogênito?
Estas incluem o Sol e todos os outros bilhões de estrelas e de matérias que
formam o Universo. Será que a Bíblia nos dá uma idéia de como Deus produziu
tudo isso do nada? Vejamos, examinando a Bíblia à luz da ciência moderna.
No
século 18, o cientista Antoine-Laurent Lavoisier estudou o peso da matéria. Ele
notou que, depois de uma reação química, o peso do produto igualava ao peso
combinado dos ingredientes originais. Por exemplo, se queimarmos papel em
oxigênio, as cinzas e os gases resultantes pesarão o mesmo que o papel e o
oxigênio originais. Lavoisier propôs uma lei — ‘a conservação de
massa, ou matéria’. Em 1910,
a The Encyclopædia Britannica
explicou: “A matéria não pode ser criada nem destruída.” Isso parecia
razoável, pelo menos naquele tempo.
Contudo,
a explosão de uma bomba atômica sobre a cidade japonesa de Hiroshima, em 1945,
expôs publicamente uma falha na lei de Lavoisier. Na explosão de uma massa de
urânio supercrítica, formam-se diferentes tipos de matéria, mas a sua massa
combinada é menor do que a do urânio original. Por que essa perda? Porque parte
da massa do urânio é convertida numa assombrosa descarga de energia.
Outro
problema com a lei de Lavoisier, sobre a conservação da matéria, surgiu em 1952
com a detonação de um artefato termonuclear (a bomba de hidrogênio). Nessa
explosão, os átomos de hidrogênio combinaram-se para formar o hélio. A
resultante massa do hélio, porém, era menor do que a do hidrogênio original.
Uma parte da massa do hidrogênio foi convertida em energia explosiva, uma
explosão muito mais devastadora do que a bomba lançada sobre Hiroshima.
Como
essas explosões provaram, uma pequena quantidade de matéria representa uma
enorme quantidade de energia. Esse vínculo entre a matéria e a energia explica
a potência do Sol, que garante a nossa vida e o nosso bem-estar. Que vínculo é
esse? Bem, uns 40 anos antes, em 1905, Einstein havia predito uma relação entre
matéria e energia. Muitos conhecem a sua equação E=mc2.
Depois que Einstein formulou essa relação, outros cientistas puderam explicar
como é possível que o Sol continue a brilhar já por bilhões de anos. No
interior do Sol ocorrem contínuas reações termonucleares. Deste modo, a cada
segundo, o Sol converte uns 564 milhões de toneladas de hidrogênio em 560
milhões de toneladas de hélio. Assim, cerca de 4 milhões de toneladas de
matéria são transformadas em energia solar, uma fração da qual atinge a Terra e
sustenta a vida.
É
significativo que o processo ao reverso também é possível. “A energia
transforma-se em matéria quando partículas subatômicas colidem em altas
velocidades e criam novas partículas, mais pesadas”, explica The World
Book Encyclopedia. Os cientistas realizam isso em escala limitada
usando máquinas enormes, os chamados aceleradores de partículas, nos quais
partículas subatômicas colidem em velocidades fantásticas, criando a matéria. “Estamos
reproduzindo um dos milagres do Universo — transformar energia em
matéria”, explica o físico e prêmio Nobel Dr. Carlo Rubbia.
‘É
verdade’, alguém talvez diga, ‘mas o que isso tem a ver com o registro da
criação que se lê na Bíblia?’ Bem, a Bíblia não é um livro de ciência, embora
tenha-se revelado atualizada e afinada com os fatos científicos. Do começo ao
fim, a Bíblia aponta para Aquele que criou toda a matéria no Universo, o Cientista.
(Neemias 9:6; Atos 4:24; Revelação 4:11) E ela mostra claramente a relação
entre energia e matéria.
Por
exemplo, a Bíblia convida os seus leitores: “Levantai ao alto os vossos olhos e
vede. Quem criou estas coisas? Foi Aquele que faz sair o exército delas até
mesmo por número, chamando a todas elas por nome. Devido à abundância de
energia dinâmica, sendo ele também vigoroso em poder, não falta nem sequer uma
delas.” (Isaías 40:26) Sim, a Bíblia diz que uma fonte de tremenda energia
dinâmica — o Criador — trouxe à existência o Universo material. Isso
se harmoniza plenamente com a tecnologia moderna. Só isso já basta para que o
registro bíblico da criação mereça o nosso profundo respeito.
Depois
de terem criado nos céus coisas invisíveis e visíveis, o Criador e seu Filho
primogênito voltaram a sua atenção para a Terra. De onde ela se originou? A
variedade de elementos químicos que compõe o nosso planeta pode ter sido
produzida diretamente por Deus pela transformação de energia dinâmica ilimitada
em matéria, algo que os físicos hoje dizem que é plausível. Ou, como muitos
cientistas acreditam, a Terra pode ter sido formada de matéria expelida na
explosão de uma supernova. Ou ainda, quem garante se houve, ou não, uma
combinação de métodos, destes acima mencionados e de outros, que os cientistas
ainda não descobriram? Seja qual for o mecanismo usado, o Criador é a Fonte
dinâmica dos elementos que compõem a Terra, incluindo todos os minerais
essenciais para nos manter vivos.
Pode-se
avaliar que a formação da Terra envolveria muito mais do que suprir todos os
materiais nas proporções corretas. O tamanho da Terra, sua rotação, sua
distância do Sol, bem como a inclinação de seu eixo e a forma quase circular de
sua órbita ao redor do Sol também teriam de ser rigorosamente precisas
— exatamente como são. É óbvio que o Criador pôs em operação ciclos
naturais que deram ao nosso planeta condições de sustentar muitas formas de
vida. Temos todos os motivos de nos maravilhar diante de tudo isso. Mas imagine
a reação dos celestiais filhos espirituais de Deus ao observarem a criação da
Terra e da vida nela! Um livro bíblico diz que eles ‘juntos gritavam de júbilo
e começaram a bradar em aplauso’. — Jó 38:4, 7.
O
significado de Gênesis, capítulo 1
O
primeiro capítulo da Bíblia fornece alguns detalhes a respeito de medidas
vitais tomadas por Deus na preparação da Terra para o usufruto do homem. O
capítulo não dá todos os detalhes; ao lê-lo, não devemos nos abalar caso ele
omita certas particularidades que os leitores antigos nem poderiam ter
entendido. Por exemplo, ao escrever esse capítulo, Moisés não falou das funções
de algas e bactérias microscópicas. Essas formas de vida só chegaram ao campo
da visão humana depois da invenção do microscópio, no século 16. Moisés
tampouco falou especificamente dos dinossauros, cuja existência foi deduzida à
base de fósseis, no século 19. Em vez disso, Moisés foi inspirado a usar
palavras que pudessem ser entendidas por pessoas de seus dias — mas
palavras exatas em tudo que dizia respeito à criação da Terra.
Ao
ler Gênesis, capítulo 1, do versículo 3 em diante, você verá que ele está
dividido em seis “dias” criativos. Há quem diga que estes eram dias literais de
24 horas, significando que o Universo inteiro e a vida na Terra foram criados
em menos de uma semana! Mas é fácil descobrir que a Bíblia não ensina isso. O
livro de Gênesis foi escrito em hebraico. Nesse idioma, “dia” refere-se a um
espaço de tempo. Pode ser um período longo, bem como um dia de 24 horas. Mesmo
em Gênesis, os seis “dias” são englobados num só período longo
— ‘o dia em que
Jeová fez a terra e o céu’. (Gênesis 2:4; note 2 Pedro
3:8.) Na verdade, a Bíblia revela que os “dias” (ou eras) criativos representam
milhares de anos.
Pode-se
ver isso pelo que a Bíblia diz sobre o sétimo “dia”. O registro de cada um dos
primeiros seis “dias” termina dizendo ‘e veio a ser noitinha e veio a ser
manhã, primeiro dia’, e assim por diante. No entanto, essa expressão não ocorre
depois do registro do sétimo “dia”. E, no primeiro século EC, uns 4.000
anos mais adiante na corrente do tempo, a Bíblia diz que o sétimo “dia”, de
descanso, ainda continuava. (Hebreus 4:4-6) Portanto, o sétimo “dia” era um
período que se estenderia por milhares de anos, e podemos concluir logicamente
o mesmo a respeito dos primeiros seis “dias”.
O
primeiro e o quarto “dia”
Pelo
visto, a Terra já estava em órbita em torno do Sol e já era um globo coberto de
água quando começaram os seis “dias”, ou períodos, de obras criativas
especiais. “Havia escuridão sobre a superfície [do abismo aquoso].” (Gênesis
1:2) Naquele estágio primordial, alguma coisa — talvez uma mistura de
vapor de água, outros gases e cinzas vulcânicas — deve ter impedido que a
luz do Sol atingisse a superfície da Terra. A Bíblia descreve assim o primeiro
período criativo: “Deus passou a dizer: ‘Haja luz’; e gradualmente veio à
existência a luz”, ou a luz alcançou a superfície da Terra. — Gênesis 1:3,
tradução de J. W. Watts.
A
expressão “gradualmente veio” exprime com exatidão a forma do verbo hebraico em
questão, denotando uma ação progressiva que leva tempo para se consumar. Quem
lê em hebraico encontra essa forma verbal umas 40 vezes em Gênesis,
capítulo 1, e isso é uma chave para entender o capítulo. O que Deus
começou a fazer na figurativa noitinha de um período (ou era) criativo
tornava-se progressivamente claro, ou evidente, depois da manhã daquele “dia”.
Também, o que foi iniciado num período não precisava estar plenamente acabado
quando começava o período seguinte. Para ilustrar, a luz surgiu gradualmente no
primeiro “dia”, mas foi só no quarto período criativo que o Sol, a Lua e as
estrelas puderam ser vistos. — Gênesis 1:14-19.
O
segundo e o terceiro “dia”
Antes
de fazer surgir o solo seco, no terceiro “dia” criativo, o Criador suspendeu
parte das águas. Com isso, a Terra ficou envolta num manto de vapor de água.
Esse registro antigo não descreve — nem precisava descrever — os
mecanismos usados. Em vez disso, a Bíblia enfoca a expansão entre as águas de
cima e as de superfície. Ela chama isso de “céus”. Mesmo hoje as pessoas usam
esse termo para a atmosfera, onde as aves e os aviões voam. No tempo oportuno,
Deus encheu esses céus atmosféricos com uma mistura de gases essenciais para a
vida.
Contudo,
durante os “dias” criativos a água de superfície baixou, de modo que surgiu o
solo seco. Talvez usando forças geológicas que ainda hoje movem as placas da
Terra, pelo visto Deus empurrou para cima as cristas oceânicas para formar
continentes. Isso teria produzido o solo seco acima da superfície das águas e
profundos abismos oceânicos, que os oceanógrafos agora mapeiam e estudam com
grande interesse. (Note o Salmo 104:8, 9.) Depois da formação do solo
seco, aconteceu outra coisa maravilhosa. Lemos: “Deus prosseguiu, dizendo:
‘Faça a terra brotar relva, vegetação que dê semente, árvores frutíferas que
dêem fruto segundo as suas espécies, cuja semente esteja nele, sobre a terra.’
E assim se deu.” — Gênesis 1:11.
Conforme
considerado no capítulo anterior (“O que revelam as obras?”), a
fotossíntese é essencial para as plantas. Na célula de uma planta verde há
numerosos corpúsculos chamados cloroplastos, que obtêm energia da luz solar.
“Essas fábricas microscópicas”, explica o livro Planet Earth
(Planeta Terra), “manufaturam açúcares e amidos . . . Jamais um
humano projetou uma fábrica mais eficiente, ou cujos produtos tivessem maior demanda,
do que um cloroplasto”.
De
fato, a futura vida animal dependeria dos cloroplastos para a sobrevivência.
Também, sem a vegetação verde, a atmosfera da Terra seria excessivamente rica
em dióxido de carbono, e nós morreríamos de calor e de falta de oxigênio.
Alguns especialistas dão explicações espantosas sobre como se desenvolveu a
vida dependente da fotossíntese. Por exemplo, eles dizem que quando certos
organismos unicelulares na água começaram a ficar sem alimentos, “algumas
células pioneiras finalmente inventaram uma solução. Elas chegaram à
fotossíntese”. Mas poderia realmente ter sido assim? A fotossíntese é tão
complexa que os cientistas ainda tentam desvendar os seus mistérios. Você acha
que a vida fotossintética auto-reprodutora surgiu inexplicavelmente e
espontaneamente? Ou acha mais razoável crer que ela resulta de criação
inteligente e propositada, conforme relata Gênesis?
O
aparecimento de variedades novas de vida vegetal talvez não tenha cessado no
terceiro “dia” criativo. Pode ter prosseguido até mesmo no sexto “dia”, quando
o Criador “plantou um jardim no Éden” e fez “brotar do solo toda árvore de
aspecto desejável e boa para alimento”. (Gênesis 2:8, 9) E, como já
mencionado, a atmosfera da Terra com certeza já clareara no quarto “dia”, permitindo
assim que mais luz do Sol e de outros corpos celestes atingisse o planeta
Terra.
O
quinto e o sexto “dia”
No
quinto “dia” criativo o Criador passou a encher os oceanos e os céus
atmosféricos com uma nova forma de vida — “almas viventes” — distintas
da vegetação. Curiosamente, os biólogos falam, entre outras coisas, de reino
vegetal e de reino animal, e os dividem em subclassificações. A
palavra hebraica traduzida por “alma” significa “quem (ou que) respira”. A
Bíblia diz também que as “almas viventes” têm sangue. Por conseguinte, pode-se
concluir que as criaturas que têm tanto um sistema respiratório como um sistema
circulatório — os habitantes dos oceanos e dos céus, que respiram
— começaram a aparecer no quinto período criativo. — Gênesis 1:20; 9:3, 4.
No
sexto “dia” Deus deu mais atenção ao solo. Ele criou animais ‘domésticos’ e
animais ‘selváticos’, que eram classificações significativas quando Moisés
escreveu o relato. (Gênesis 1:24) Portanto, foi no sexto período criativo que
foram formados os mamíferos terrestres. E os seres humanos?
Esse
registro antigo nos informa que, por fim, o Criador decidiu produzir uma forma
de vida realmente única na Terra. Ele disse ao seu Filho celestial: “Façamos o
homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança, e tenham eles em sujeição os
peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e os animais domésticos, e
toda a terra, e todo animal movente que se move sobre a terra.” (Gênesis 1:26)
De modo que o homem refletiria a imagem espiritual do Criador, exibindo as Suas
qualidades. E o homem seria capaz de assimilar uma quantidade enorme de
conhecimentos. Assim, os humanos poderiam agir com inteligência superior à de
qualquer animal. Também, diferentemente dos animais, o homem foi feito com a
capacidade de agir segundo a sua própria livre vontade, sem ser controlado
basicamente por instinto.
Em
anos recentes, os cientistas pesquisaram a fundo os genes humanos. Comparando
os padrões genéticos humanos ao redor da Terra, eles encontraram evidências
claras de que todos os humanos têm um ancestral comum, uma fonte do DNA de
todas as pessoas que já viveram e de cada um de nós. Em 1988, a revista Newsweek
apresentou essas descobertas numa matéria intitulada “Em busca de Adão e
Eva”. Esses estudos baseavam-se num tipo de DNA mitocondrial, material genético
transmitido apenas pela mulher. Informações de 1995 acerca de pesquisas em DNA
masculino apontaram para a mesma conclusão: “Houve um ancestral ‘Adão’, cujo
material genético no cromossomo [Y] é comum a todo homem que hoje existe na
Terra”, como disse a revista Time. Sejam exatas, ou não, em todos os
detalhes, essas descobertas ilustram que o relato em Gênesis é de alta
credibilidade, de autoria de Alguém que esteve presente na época.
Que
clímax quando Deus reuniu alguns dos componentes do solo para formar seu
primeiro filho humano, a quem chamou de Adão! (Lucas 3:38) O relato histórico
diz que o Criador do globo e da vida nele colocou o homem que havia feito numa
área semelhante a um jardim, “para que o cultivasse e tomasse conta dele”.
(Gênesis 2:15) Nessa época, o Criador talvez ainda estivesse produzindo novos
tipos de animais. A Bíblia diz: “Deus estava formando do solo todo animal
selvático do campo e toda criatura voadora dos céus, e ele começou a trazê-los
ao homem para ver como chamaria a cada um deles; e o que o homem chamava a cada
alma vivente, este era seu nome.” (Gênesis 2:19) A Bíblia de forma alguma
sugere que o primeiro homem, Adão, fosse um mero personagem de ficção. Ao
contrário, ele era uma pessoa real — um ser humano de raciocínio e de
sentimentos — que poderia encontrar alegria trabalhando naquele lar
paradísico. A cada dia ele aprendia mais a respeito de seu Criador — Suas
qualidades e personalidade — e de Suas obras.
Daí,
depois de um período não-especificado, Deus criou a primeira mulher, para ser a
esposa de Adão. E Deus acrescentou maior objetivo à vida deles, com esta missão
significativa: “Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e
sujeitai-a, e tende em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos
céus, e toda criatura vivente que se move na terra.” (Gênesis 1:27, 28) Nada
pode mudar esse objetivo expresso do Criador, a saber, que a Terra inteira se
transforme num paraíso habitado por humanos felizes, vivendo em paz entre si e
com os animais.
O
Universo material, incluindo o nosso planeta e a vida nele, atestam claramente
a sabedoria de Deus. Portanto, Deus obviamente podia prever que, com o tempo,
alguns humanos talvez preferissem agir de modo independente ou rebelde, mesmo
sendo Ele o Criador e o Dador da Vida. Essa rebeldia poderia obstruir a
grandiosa obra de fazer um paraíso global. O relato diz que Deus apresentou a
Adão e Eva um teste simples, que os lembraria da necessidade de serem
obedientes. A desobediência, disse Deus, resultaria na perda da vida que ele
lhes dera. O Criador demonstrou interesse e preocupação ao alertar os nossos
primeiros ancestrais contra um proceder errado que afetaria a felicidade de
toda a raça humana. — Gênesis 2:16, 17.
No
fim do sexto “dia”, o Criador havia feito tudo o que era necessário para
cumprir o seu objetivo. Ele podia, com toda razão, dizer que tudo o que fizera
era “muito bom”. (Gênesis 1:31) Nesse ponto, a Bíblia introduz outro período
importante ao dizer que Deus “passou a repousar no sétimo dia
de toda a sua obra que fizera”. (Gênesis 2:2) Visto que o Criador “não se cansa
nem se fatiga”, por que se diz que ele repousou? (Isaías 40:28) Isso indica que
ele cessou de realizar obras de criação material; além disso, ele ‘descansa’
sabendo que nada, nem mesmo uma rebelião no céu ou na Terra, pode frustrar a
realização de seu grande objetivo. Deus confiantemente abençoou o sétimo “dia”
criativo. Assim, as leais criaturas inteligentes de Deus — os humanos e as
criaturas espirituais invisíveis — podem ter certeza de que, no fim do
sétimo “dia”, a paz e a felicidade vão imperar em todo o Universo.
Pode-se confiar no relato de Gênesis?
Mas,
pode-se realmente ter fé nesse relato da criação e nas perspectivas que ele
apresenta? Como vimos, as pesquisas genéticas modernas caminham na direção da
conclusão declarada na Bíblia há muito tempo. Também, a seqüência dos eventos
apresentada em Gênesis tem chamado a atenção de alguns cientistas. Por exemplo,
o famoso geólogo Wallace Pratt disse: “Se eu, como geólogo, tivesse de explicar
concisamente nossas idéias modernas sobre a origem da Terra e o desenvolvimento
da vida sobre ela a um povo simples, pastoril, tal como o das tribos a quem foi
dirigido o Livro de Gênesis, dificilmente poderia fazê-lo melhor do que seguir
bem de perto grande parte da linguagem do primeiro capítulo de Gênesis.” Ele
observou também que a seqüência da origem dos oceanos, da emergência de solo
seco, bem como do surgimento de vida marinha, de aves e de mamíferos é, em
essência, a seqüência das principais divisões do tempo geológico.
Considere:
como poderia Moisés — milhares de anos atrás — ter colocado seu
relato nessa seqüência correta se a sua fonte de informações não fosse o
próprio Criador e Projetista?
“Pela
fé”, diz a Bíblia, “é que sabemos que o universo foi ordenado pela palavra
de Deus, de forma que o mundo visível não procedeu de outras coisas visíveis”.
(Hebreus 11:3, tradução Mensagem de Deus) Muitos não
aceitam esse fato, preferindo crer no acaso ou em algum processo às cegas que,
supostamente, produziu o Universo e a vida. Mas, como vimos, existem muitas e
variadas razões para crer que o Universo e a vida terrestre — incluindo a
nossa vida — originam-se de uma Causa Primária inteligente, um
Criador, Deus.
A
Bíblia reconhece francamente que “a fé não é propriedade de todos”.
(2 Tessalonicenses 3:2) Contudo, fé não é credulidade. A fé baseia-se em fundamentos. No
próximo capítulo, consideraremos outras razões válidas e convincentes para se
poder confiar na Bíblia e no Grandioso Criador, que se importa com cada um de
nós.
Energia
é igual à massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado.
Para
os hebreus, o dia começava à noitinha e ia até o pôr-do-sol seguinte.
O
Criador podia ter empregado processos naturais para suspender essas águas e
mantê-las no alto. Essas águas caíram nos dias de Noé. (Gênesis 1:6-8;
2 Pedro 2:5; 3:5, 6) Esse evento histórico deixou uma marca indelével
nos sobreviventes humanos e seus descendentes, como os antropólogos confirmam.
Encontramos um reflexo desse evento nos relatos sobre inundações preservados
pelos povos em toda a Terra.
Para
mais informações sobre a origem das formas de vida na Terra, veja o livro A Vida
— Qual a Sua Origem? A Evolução
ou a Criação?, publicado pela Sociedade Torre de Vigia de
Bíblias e Tratados.
Discos de poeira cósmica, como este
na galáxia NGC 4261, evidenciam a presença de poderosos buracos negros,
invisíveis. A Bíblia fala da existência, em outro domínio, de criaturas
poderosas, porém invisíveis

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