Capítulo Oito
O Criador se revela
— em nosso benefício!
ENTRE
trovões e relâmpagos, cerca de três milhões de pessoas estavam de pé diante de
uma montanha, na península do Sinai. Nuvens cobriam o monte Sinai, e o solo
tremia. Nessas circunstâncias memoráveis, Moisés levou o Israel antigo a uma
relação formal com o Criador do céu e da Terra. — Êxodo, capítulo 19;
Isaías 45:18.
Mas,
por que o Criador do Universo se revelaria de forma especial a uma determinada
nação, ainda mais comparativamente pequena? Moisés esclareceu: “Foi por Jeová
vos amar e por ele cumprir a declaração juramentada que fizera aos vossos
antepassados.” — Deuteronômio 7:6-8.
Essa
declaração indica que na Bíblia há muito mais informações do que apenas fatos
sobre a origem do Universo e a vida na Terra. Ela tem muito a dizer sobre os
tratos do Criador com os humanos — no passado, no presente e no futuro. A
Bíblia é o livro mais estudado e de maior circulação no mundo, de modo que toda
pessoa que preza a educação devia conhecer o seu conteúdo. Façamos um apanhado
geral do conteúdo da Bíblia, primeiro da parte mais conhecida como Velho
Testamento. Ao fazermos isso, obteremos também uma valiosa compreensão da
personalidade do Criador do Universo e Autor da Bíblia.
No
Capítulo 6, “Um antigo registro da criação — Pode-se confiar nele?”, vimos
que o relato bíblico da criação apresenta fatos exclusivos acerca de nossos
primeiros ancestrais — as nossas origens. Esse primeiro livro bíblico
contém muito mais. Exemplos?
A
mitologia grega e outras falam de uma época em que deuses e semideuses tinham
tratos com os humanos. Também, segundo os antropólogos, ao redor do globo
existem lendas sobre um antigo dilúvio que aniquilou a maior parte da
humanidade. Você pode, com razão, descartar tais mitos. No entanto, sabia que
apenas o livro de Gênesis revela-nos os fatos históricos básicos que
mais tarde encontraram eco nesses mitos e lendas? — Gênesis, capítulos
6, 7.
No
livro de Gênesis pode-se ler também acerca de homens e mulheres — pessoas
fidedignas com quem podemos nos identificar — que sabiam da existência do
Criador e levavam em conta a Sua vontade nas suas vidas. Temos a obrigação de
saber a respeito de homens como Abraão, Isaque e Jacó, que estavam entre os
“antepassados” mencionados por Moisés. O Criador veio a conhecer a Abraão e
chamou-o de “meu amigo”. (Isaías 41:8; Gênesis 18:18, 19) Por quê? Jeová havia
observado e adquirido confiança em Abraão como homem de fé. (Hebreus 11:8-10,
17-19; Tiago 2:23) O caso de Abraão mostra que Deus é acessível. Seu poder e
capacidade são espantosos, mas ele não é mera força ou causa impessoal. Ele é
uma pessoa real com quem humanos como nós podem cultivar uma relação respeitosa
— em nosso benefício eterno.
Jeová
prometeu a Abraão: “Todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por
meio de teu descendente.” (Gênesis 22:18) Isso amplia, ou estende, a promessa
feita nos dias de Adão a respeito de um futuro “descendente”. (Gênesis 3:15)
Sim, o que Jeová disse a Abraão confirmou a esperança de que alguém —
o Descendente — viria no devido tempo e colocaria à disposição de
todos os povos uma bênção. Verá que esse é o tema central que permeia toda a
Bíblia, confirmando que ela não é uma coleção de diversos escritos humanos. E
conhecer o tema da Bíblia ajudará você a entender que Deus usou uma nação
antiga — com o alvo de abençoar todas as nações. — Salmo
147:19, 20.
Ter
tido esse objetivo ao lidar com Israel indica que Jeová ‘não é parcial’. (Atos
10:34; Gálatas 3:14) Ademais, mesmo quando Deus lidava primariamente com os
descendentes de Abraão, pessoas de outras nações eram bem-vindas para também
servirem a Jeová. (1 Reis 8:41-43) E, como veremos mais adiante, a
imparcialidade de Deus é de tal ordem que todos nós hoje — seja qual for a
nossa formação nacional ou étnica — podemos conhecê-lo e agradá-lo.
Podemos
aprender muito da história da nação com a qual o Criador lidou por séculos.
Vamos dividi-la em três partes. Ao considerarmos essas partes, note como Jeová
sempre agiu à altura do significado de seu nome, “Ele Causa que Venha a Ser”, e
como a sua personalidade se manifestou nos seus tratos com pessoas reais.
Parte Um — uma nação governada pelo
Criador
Os descendentes de Abraão
tornaram-se escravos no Egito. Por fim
Deus convocou Moisés, que os levou à
liberdade em 1513 AEC. Quando Israel
tornou-se uma nação, Deus era seu governante.
Mas, em 1117 AEC, o povo quis
ter um rei humano.
Que
acontecimentos levaram Israel a estar com Moisés no monte Sinai? O livro
bíblico de Gênesis fornece o fundo histórico. Tempos antes, quando Jacó (também
chamado de Israel) vivia ao nordeste do Egito, ocorreu uma fome em todo o mundo
então conhecido. O zelo por sua família levou Jacó a buscar alimentos no Egito,
onde havia um grande estoque de cereais. Ele descobriu que o administrador dos
alimentos era na verdade seu filho José, que Jacó achava que tinha morrido anos
antes. Jacó e sua família mudaram-se para o Egito e foram convidados a
permanecer ali. (Gênesis 45:25–46:5; 47:5-12) No entanto, depois da morte de
José, um novo Faraó arregimentou os descendentes de Jacó para trabalho forçado
e ‘amargurava-lhes a vida com dura escravidão, em argamassa argilosa e em
tijolos’. (Êxodo 1:8-14) Poderá ler esse vívido relato, e muito mais, no
segundo livro bíblico, Êxodo.
Os
israelitas sofreram maus-tratos por décadas, e ‘seu clamor por ajuda ascendia
ao Deus verdadeiro’. Recorrer a Jeová era o proceder sábio. Ele estava
interessado nos descendentes de Abraão e decidido a cumprir o Seu objetivo de
prover uma bênção futura para todos os povos. Jeová ‘ouviu os gemidos de Israel
e reparou neles’, indicando que o Criador se compadece dos oprimidos e
sofredores. (Êxodo 2:23-25) Ele escolheu Moisés para liderar a libertação de
Israel da escravidão. Mas, quando Moisés e seu irmão, Arão, pediram ao Faraó do
Egito permissão para que esse povo escravizado partisse, ele respondeu
desafiadoramente: “Quem é Jeová, que eu deva obedecer à sua voz para mandar
Israel embora?” — Êxodo 5:2.
Poderia
imaginar o Criador do Universo deixar-se intimidar por esse desafio, mesmo da
parte do governante da maior potência militar da época? Deus golpeou Faraó e os
egípcios com uma série de pragas. Finalmente, depois da décima praga, Faraó
concordou em libertar os israelitas. (Êxodo 12:29-32) Assim, os descendentes de
Abraão vieram a conhecer a Jeová como pessoa real — que traz a liberdade
no Seu devido tempo. Sim, como seu nome indica, Jeová tornou-se cumpridor de
suas promessas de uma maneira dramática. (Êxodo 6:3) Mas, tanto Faraó como os
israelitas aprenderiam ainda mais a respeito desse nome.
Isso
aconteceu porque Faraó logo mudou de idéia. Ele liderou seu exército numa feroz
caçada aos escravos que partiam, alcançando-os perto do mar Vermelho. Os
israelitas ficaram encurralados entre o mar e o exército egípcio. Jeová
interveio, abrindo uma passagem pelo mar Vermelho. Faraó devia ter reconhecido
nisso uma demonstração do poder invencível de Deus. Em vez disso, lançou as
suas forças contra os israelitas — e morreu afogado junto com o seu
exército quando Deus fez com que o mar voltasse à sua posição normal. O relato
em Êxodo não diz exatamente como Deus realizou esses feitos. Podemos chamá-los
corretamente de milagres, pois as ações e seu momento para acontecer fugiam ao
controle humano. Certamente, tais ações não seriam impossíveis para Quem criou
tanto o Universo como todas as suas leis. — Êxodo 14:1-31.
Esse
evento demonstrou para os israelitas — e deve incutir em nós também
— que Jeová é um Salvador que age à altura de seu nome. Contudo, devemos
discernir desse relato ainda outros aspectos dos caminhos de Deus. Por exemplo,
ele agiu com justiça contra uma nação opressiva e foi benévolo
com Seu povo, através do qual viria o Descendente. A respeito deste último, o
que lemos em Êxodo é obviamente muito mais do que história antiga; relaciona-se
com o propósito de Deus de colocar uma bênção à disposição de todos.
Para uma terra prometida
Saindo
do Egito, Moisés e o povo marcharam pelo deserto até o monte Sinai. Os eventos
ali estabeleceram a base para os tratos de Deus com a nação por séculos à
frente. Ele proveu leis. Naturalmente, eras antes disso o Criador já formulara
as leis que governam a matéria no Universo, que ainda vigoram. Mas, no monte
Sinai, ele usou Moisés para fornecer leis nacionais. Podemos ler o que Deus
fez, bem como a Lei que ele forneceu, no livro de Êxodo e nos três livros que
se seguem — Levítico, Números e Deuteronômio. Os
eruditos acreditam que Moisés também escreveu o livro de Jó.
Consideraremos alguns pontos de seu importante conteúdo no Capítulo 10.
Até
hoje, milhões de pessoas em todo o mundo conhecem e procuram obedecer aos Dez
Mandamentos, a orientação moral, central, da Lei inteira. Esta Lei, porém,
contém muitas outras diretrizes, que são admiradas por sua excelência.
Compreensivelmente, muitos regulamentos centralizavam-se na vida israelita
daquele tempo, tais como regras sobre higiene, saneamento e doenças. Embora
dadas inicialmente a um povo antigo, tais leis refletem conhecimento sobre
fatos científicos que os especialistas humanos só descobriram a partir do
último século. (Levítico 13:46, 52; 15:4-13; Números 19:11-20; Deuteronômio
23:12, 13) Pode-se muito bem perguntar: Como podiam as leis dadas ao Israel
antigo refletir conhecimentos e sabedoria muito superiores ao que era conhecido
por nações contemporâneas? Uma resposta razoável é que essas leis originaram-se
do Criador.
Essas
leis serviam também para preservar as sucessões familiares e prescreveram
deveres religiosos que os israelitas deviam cumprir até a chegada do
Descendente. Por concordarem em fazer tudo o que Deus lhes pedia, eles se
comprometiam a obedecer a essa Lei. (Deuteronômio 27:26; 30:17-20) Eles não
conseguiriam obedecer à Lei com perfeição, é verdade. No entanto, mesmo isso
serviria a um bom objetivo. Mais tarde, um perito em leis explicou que a Lei
‘tornou manifestas as transgressões, até que chegasse o descendente a quem se
fizera a promessa’. (Gálatas 3:19, 24) Portanto, a Lei fez deles um povo à
parte, lembrou-lhes que necessitavam do Descendente, ou Messias, e preparou-os
para acolhê-lo.
Os
israelitas, reunidos no monte Sinai, concordaram em seguir a Lei de Deus. Desse
modo, eles passaram a entrar no que a Bíblia chama de pacto, ou acordo. O pacto
foi entre aquela nação e Deus. Apesar de terem entrado voluntariamente nesse
pacto, mostraram ser um povo obstinado. Por exemplo, fizeram um bezerro de ouro
para representar a Deus. Fazerem isso era pecado, pois a adoração de ídolos
violava diretamente os Dez Mandamentos. (Êxodo 20:4-6) Ademais, eles se
queixaram das provisões divinas, rebelaram-se contra o líder designado por Deus
(Moisés) e tiveram relações imorais com mulheres estrangeiras, adoradoras de
ídolos. Mas de que interesse é isso para nós, que vivemos tão distante dos dias
de Moisés?
Novamente,
não se trata de simples história antiga. Os relatos bíblicos a respeito da
ingratidão de Israel e das reações de Deus mostram que ele realmente se
importa. A Bíblia diz que os israelitas punham Jeová à prova “vez após vez”,
fazendo-o sentir-se “magoado” e ‘penado’. (Salmo 78:40, 41) Isso nos dá certeza
de que o Criador tem sentimentos e se importa com o
que os humanos fazem.
De
nosso ponto de vista, talvez pudéssemos pensar que as transgressões de Israel
levariam Deus a cancelar o seu pacto e, talvez, selecionar outra nação para
cumprir a sua promessa. Mas ele não fez isso. Em vez disso, puniu os
transgressores flagrantes, mas foi misericordioso com a nação delinqüente como
um todo. Sim, Deus permaneceu leal à promessa feita ao seu fiel amigo
Abraão.
Não
muito tempo depois, Israel chegou perto de Canaã, que a Bíblia chama de Terra
Prometida. Era habitada por um povo poderoso, mergulhado em práticas moralmente
degradantes. O Criador havia concedido que se passassem 400 anos sem intervir
na vida deles, mas agora, com justiça, decidiu dar a terra deles ao Israel
antigo. (Gênesis 15:16; veja também “Em que sentido um Deus ciumento?”, nas
páginas 132-3.) Como preparativo, Moisés enviou 12 espiões à terra. Dez
deles mostraram falta de fé no poder salvador de Jeová. Seu relatório levou o
povo a murmurar contra Deus e a conspirar para retornar ao Egito. Em resultado,
Deus sentenciou o povo a vaguear no ermo por 40 anos. — Números 14:1-4,
26-34.
Em
que resultou esse julgamento? Antes de sua morte, Moisés admoestou os filhos de
Israel a se lembrarem daqueles anos durante os quais Jeová os havia humilhado.
Moisés disse-lhes: “Bem sabes no teu próprio coração que Jeová, teu Deus, te
corrigia assim como um homem corrige seu filho.” (Deuteronômio 8:1-5) Apesar de
o terem insultado, Jeová os sustentara, demonstrando que eles dependiam dele.
Por exemplo, eles sobreviveram porque ele proveu a nação de maná, uma
substância comestível com sabor de “bolachas de mel”. Obviamente, eles deviam
ter aprendido muito de sua experiência no ermo. Devia ter sido provada a
importância de obedecerem ao seu Deus misericordioso e confiarem nele.
— Êxodo 16:13-16, 31; 34:6, 7.
Após
a morte de Moisés, Deus encarregou Josué de liderar Israel. Esse homem valente
e leal conduziu a nação até Canaã e corajosamente empreendeu a conquista da
terra. Em pouco tempo, Josué derrotou 31 reis e ocupou a maior parte da Terra
Prometida. Essa história emocionante encontra-se no livro de Josué.
Governo sem rei humano
Durante
a jornada no ermo e os primeiros anos na Terra Prometida, a nação tinha como
líder Moisés e depois Josué. Os israelitas não precisavam de um rei humano,
pois Jeová era seu Soberano. Ele providenciou que anciãos fossem designados
para tratar de ações jurídicas nos portões da cidade. Eles preservavam a ordem
e ajudavam o povo espiritualmente. (Deuteronômio 16:18; 21:18-20) O livro de Rute
apresenta uma visão fascinante de como tais anciãos resolveram uma causa com
base na lei em Deuteronômio 25:7-9.
No
decorrer dos anos, a nação muitas vezes caiu no desfavor de Deus, desobedecendo-o
repetidas vezes e recorrendo a deuses cananeus. Mesmo assim, quando ela se
metia em sérios apuros e invocava a sua ajuda, Jeová a socorria. Ele convocava
juízes para liderar na libertação de Israel, salvando-a de povos vizinhos
opressores. O livro chamado Juízes apresenta vividamente as proezas de
12 desses corajosos juízes. — Juízes 2:11-19; Neemias 9:27.
O
registro diz: “Naqueles dias não havia rei em Israel. Cada um
costumava fazer o que era direito aos seus próprios olhos.” (Juízes 21:25) A
nação tinha os padrões estabelecidos na Lei, portanto, com a ajuda dos anciãos
e do ensino dos sacerdotes, as pessoas tinham uma base para “fazer o que era
direito aos seus próprios olhos”, com segurança. Ademais, a Lei provia um
tabernáculo, ou templo portátil, onde se ofereciam sacrifícios. A adoração
verdadeira centralizava-se ali e isso ajudava a unir a nação naquele tempo.
Parte Dois — prosperidade sob o domínio
de reis
Quando Samuel era juiz
em Israel, o povo exigiu um rei
humano. Os três primeiros reis — Saul,
Davi e Salomão — reinaram 40 anos
cada um, de 1117
a 997 AEC. Israel atingiu
seu pináculo de riqueza e glória, e
o Criador tomou medidas importantes em
preparação do reinado do vindouro Descendente.
Como
juiz e profeta, Samuel zelou pelo bem-estar espiritual de Israel, mas seus
filhos eram diferentes. O povo por fim exigiu de Samuel: “Designa-nos deveras
um rei para nos julgar, igual a todas as nações.” Jeová explicou a Samuel o
sentido do pedido deles: “Escuta a voz do povo . . . pois, não é a ti
que rejeitaram, mas é a mim que rejeitaram como rei sobre eles.” Jeová previu
as conseqüências tristes dessa nova situação. (1 Samuel 8:1-9) No entanto,
segundo a exigência deles, Deus nomeou um rei sobre Israel e o escolhido foi
Saul, um homem modesto. Apesar de seu começo promissor, depois de tornar-se
rei, Saul revelou tendências rebeldes e infringiu os mandamentos de Deus. O
profeta de Deus anunciou que o reinado seria dado a um homem de quem Jeová se
agradasse. Isso nos deve fazer ver quanto o Criador valoriza a obediência
de coração. — 1 Samuel 15:22, 23.
Davi,
que viria a ser o próximo rei de Israel, era o filho mais novo de uma família
da tribo de Judá. Sobre essa escolha surpreendente, Deus disse a Samuel:
“O mero homem vê o que aparece aos olhos, mas quanto a Jeová, ele vê o que
o coração é.” (1 Samuel 16:7) Não é animador saber que o Criador olha
o que somos no íntimo e não as aparências?
Mas Saul tinha as suas próprias idéias. Desde que Jeová escolhera Davi como
futuro rei, Saul ficou obcecado com a idéia de eliminar Davi. Jeová não
permitiu isso, e Saul e seus filhos acabaram morrendo numa batalha contra um
povo beligerante, os filisteus.
Davi
reinava na cidade de Hébron. Depois, ele capturou Jerusalém, para onde mudou a
sua capital. Ele também estendeu as fronteiras de Israel até o pleno limite da
terra que Deus prometera dar aos descendentes de Abraão. Poderá ler sobre esse
período (e a história de reis posteriores) em seis livros históricos da
Bíblia. Eles revelam que a vida de Davi não foi uma vida sem problemas. Por
exemplo, sucumbindo ao desejo humano, ele cometeu adultério com a bela
Bate-Seba e daí cometeu outros erros para encobrir o seu pecado. Como Deus
justo, Jeová não poderia simplesmente ignorar o erro de Davi. Mas, devido ao seu
arrependimento sincero, Deus não exigiu a aplicação rígida da penalidade da
Lei. Ainda assim, Davi viria a ter muitos problemas familiares em resultado de
seus pecados.
Durante
todas essas crises, Davi veio a conhecer a Deus como pessoa — alguém com
sentimentos. Ele escreveu: “Jeová está perto de todos os
que o invocam . . . e ouvirá seu clamor por ajuda.” (Salmo 145:18-20)
A sinceridade e a devoção de Davi estão claramente expressas nos lindos
cânticos que ele compôs, que constituem cerca da metade do livro de Salmos.
Milhões têm derivado consolo e encorajamento dessa poesia. Considere a
intimidade de Davi com Deus, como reflete o Salmo 139:1-4: “Ó Jeová, tu me
esquadrinhaste e me conheces. Tu mesmo chegaste a conhecer meu assentar e meu
levantar. De longe consideraste meu pensamento. . . . Pois não há
palavra na minha língua, mas eis que tu, ó Jeová, já sabes de tudo.”
Davi
conhecia em especial o poder salvador de Deus. (Salmo 20:6; 28:9; 34:7, 9;
37:39) Toda vez que ele o experimentava, a sua confiança em Jeová aumentava.
Você pode ver evidências disso no Salmo 30:5; 62:8 e 103:9. Ou leia o Salmo 51,
que Davi compôs depois de ter sido censurado pelo pecado com Bate-Seba. Como é
reanimador saber que podemos prontamente expressar nossos sentimentos ao Criador,
certos de que ele não é arrogante mas humildemente se
dispõe a ouvir! (Salmo 18:35; 69:33; 86:1-8) Davi não
chegou a tal apreço apenas pela experiência. “Meditei em toda a tua atuação”,
escreveu, “mantive-me voluntariamente preocupado com o trabalho das tuas
próprias mãos”. — Salmo 63:6; 143:5.
Jeová
fez um pacto especial com Davi, referente a um reino eterno. Davi provavelmente
não entendia o pleno alcance desse pacto, mas, à base de detalhes registrados
na Bíblia mais tarde, vemos que Deus estava indicando que o Descendente
prometido viria da linhagem de Davi. — 2 Samuel 7:16.
O
sábio Rei Salomão e o sentido da
vida
Salomão,
filho de Davi, ficou famoso por sua sabedoria, e podemos nos beneficiar dela
lendo os livros muito práticos de Provérbios e Eclesiastes.
(1 Reis 10:23-25) Este último é especialmente útil para quem busca um
sentido na vida, como fez o sábio Rei Salomão. Como primeiro rei israelita
nascido numa família real, Salomão tinha amplas perspectivas diante de si. Ele
fez construções majestosas, podia saborear uma variedade impressionante de
alimentos, apreciava a música e a companhia de pessoas notáveis. No entanto,
ele escreveu: “Eu, sim, eu me virei para todos os meus trabalhos que minhas
mãos tinham feito e para a labuta em que eu tinha trabalhado arduamente para a
realizar, e eis que tudo era vaidade [ou, futilidade].” (Eclesiastes 2:3-9, 11)
A que conclusão isso levou?
Salomão
escreveu: “A conclusão do assunto, tudo tendo sido ouvido, é: Teme o verdadeiro
Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda a obrigação do homem. Pois
o próprio verdadeiro Deus levará toda sorte de trabalho a julgamento com
relação a toda coisa oculta, quanto a se é bom ou mau.” (Eclesiastes 12:13, 14)
Em harmonia com isso, Salomão empreendeu a construção de um templo glorioso,
que levou sete anos, onde as pessoas podiam adorar a Deus. — 1 Reis,
capítulo 6.
Por
muitos anos, o reinado de Salomão foi marcado por paz e abundância.
(1 Reis 4:20-25) Mesmo assim, seu coração não mostrou ser tão pleno para
com Jeová como o de Davi. Salomão arranjou muitas esposas estrangeiras e
permitiu que estas desviassem seu coração para os deuses delas. Jeová disse,
por fim: “Sem falta arrancarei de ti o reino . . . Darei uma tribo ao
teu filho, por causa de Davi, meu servo, e por causa de Jerusalém.”
— 1 Reis 11:4, 11-13.
Parte Três — o reino dividido
Depois da morte de Salomão,
em 997 AEC, dez tribos do norte
se separaram. Estas formaram o reino de
Israel, que os assírios conquistaram em
740 AEC. Os reis em Jerusalém reinavam
sobre duas tribos. Este reino, Judá, durou
até que os babilônios conquistaram Jerusalém
(em 607 AEC) e levaram seus habitantes
como prisioneiros. Judá ficou desolado por
70 anos.
Quando
Salomão morreu, seu filho Roboão assumiu o poder e tornou dura a vida do povo.
Isso resultou numa revolta, e dez tribos se separaram formando o reino de
Israel. (1 Reis 12:1-4, 16-20) No decorrer dos anos, esse reino do norte
não permaneceu fiel ao Deus verdadeiro. O povo não raro se curvava perante
ídolos em forma de bezerro de ouro, ou praticava outras formas de adoração
falsa. Alguns reis foram assassinados e suas dinastias, derrubadas por
usurpadores. Jeová mostrou grande paciência, enviando repetidas vezes
profetas para alertar a nação de uma futura tragédia caso continuasse com a sua
apostasia. Os livros de Oséias e Amós foram escritos por profetas
cujas mensagens centralizavam-se nesse reino do norte. Por fim, em
740 AEC, os assírios causaram a tragédia que os profetas de Deus haviam
predito.
No
sul, 19 reis sucessivos da casa de Davi reinaram em Judá até 607 AEC. Os
reis Asa, Jeosafá, Ezequias e Josias governaram como seu antepassado Davi, e
ganharam o favor de Jeová. (1 Reis 15:9-11; 2 Reis 18:1-7; 22:1, 2;
2 Crônicas 17:1-6) Durante o reinado desses reis, Jeová abençoou a nação.
A The Englishman’s Critical and Expository Bible
Cyclopædia observa: “O grande fator conservador de J[udá] foi o seu
templo estabelecido por Deus, o sacerdócio, a lei escrita e o reconhecimento do
único Deus verdadeiro, Jeová, como seu verdadeiro rei teocrático.
. . . Essa obediência à lei . . . produziu uma
sucessão de reis com muitos monarcas sábios e bons
. . . Assim, J[udá] sobreviveu mais tempo do que a sua irmã do norte,
mais populosa.” O número de reis bons foi muito inferior ao daqueles que não
andaram nos caminhos de Davi. Mesmo assim, Jeová guiou as coisas de modo que
‘Davi, seu servo, continuasse a ter sempre uma lâmpada diante de Si em
Jerusalém, a cidade que Deus escolhera para pôr o Seu nome’. — 1 Reis
11:36.
Para a destruição
Manassés
foi um dos reis de Judá que se afastou da adoração verdadeira. “Ele fez o seu
próprio filho passar pelo fogo, e praticou a magia e procurou presságios, e
constituiu médiuns espíritas e prognosticadores profissionais de eventos. Fez
em grande escala o que era mau aos olhos de Jeová, para o ofender.”
(2 Reis 21:6, 16) O Rei Manassés levou seu povo a ‘fazer pior do que as
nações que Jeová aniquilara’. Depois de repetidas vezes advertir Manassés e seu
povo, o Criador declarou: “Vou esfregar Jerusalém até ficar limpa, assim como
se esfrega um tacho sem asas.” — 2 Crônicas 33:9, 10; 2 Reis
21:10-13.
Como
prelúdio disso, Jeová permitiu que os assírios capturassem Manassés e o
levassem preso com grilhões de cobre. (2 Crônicas 33:11) No exílio,
Manassés caiu em si e “continuou a humilhar-se grandemente por causa do Deus de
seus antepassados”. Como reagiu Jeová? “[Deus] ouviu seu pedido de favor, e
restaurou-o a Jerusalém ao seu reinado; e Manassés veio a saber que Jeová é o
verdadeiro Deus.” Tanto o Rei Manassés como seu neto, o Rei Josias, realizaram
reformas necessárias. Mesmo assim, a nação não abandonou permanentemente a
vasta degradação moral e religiosa. — 2 Crônicas 33:1-20; 34:1–35:25;
2 Reis, capítulo 22.
Significativamente,
Jeová enviou profetas zelosos para declararem o que ele achava a respeito do
que estava acontecendo. Jeremias transmitiu as palavras de Jeová: “Desde o dia
em que os vossos antepassados saíram da terra do Egito até o dia de hoje
. . . continuei a enviar-vos todos os meus servos, os profetas,
diariamente levantando-me cedo e enviando-os.” Mas as pessoas não escutavam a
Deus. Agiam pior do que seus antepassados! (Jeremias 7:25, 26) Deus as advertia
repetidas vezes ‘porque tinha compaixão do seu povo’. Mesmo assim, elas
não correspondiam. De modo que Deus permitiu que os babilônios destruíssem
Jerusalém e desolassem a terra em 607 AEC. Por 70 anos ela ficou
abandonada. — 2 Crônicas 36:15, 16; Jeremias 25:4-11.
Esse
breve retrospecto das ações de Deus devia ajudar-nos a reconhecer o interesse
de Jeová por Sua nação e seus tratos justos com ela. Ele não ficou simplesmente
à espera para ver o que o povo faria, como se não fizesse diferença para ele.
Ele tentou ativamente ajudá-lo. Você pode compreender por que Isaías disse:
“Ó Jeová, tu és nosso Pai. . . . Todos nós somos trabalho da tua
mão.” (Isaías 64:8) Concordemente, muitos hoje chamam o Criador de “Pai”, pois
ele é sensível como um pai humano amoroso e interessado. Contudo,
ele também reconhece que temos de assumir a responsabilidade pelo nosso proceder
e por seus resultados.
Depois
de a nação ter passado 70 anos no cativeiro em Babilônia, Jeová Deus cumpriu
sua profecia de restaurar Jerusalém. O povo foi libertado e permitiu-se que
retornasse à sua terra natal para ‘reconstruir a casa de Jeová, que havia em
Jerusalém’. (Esdras 1:1-4; Isaías 44:24–45:7) Vários livros bíblicos abordam
essa restauração, a reconstrução do templo, ou os eventos que se seguiram. Um
deles, Daniel, é particularmente interessante porque profetizou
exatamente quando viria o Descendente, ou Messias, e predisse acontecimentos
mundiais em nossos tempos.
O
templo foi finalmente reconstruído, mas a situação de Jerusalém era deplorável.
Suas muralhas e seus portões estavam em ruínas. De modo que Deus suscitou homens como
Neemias, para encorajar e organizar os judeus. Uma oração que podemos ler em
Neemias, capítulo 9, resume muito bem os tratos de Jeová com os
israelitas. Apresenta Jeová como “Deus de atos de perdão, clemente e
misericordioso, vagaroso em irar-se e abundante
em benevolência”. Essa oração mostra também que Jeová age em
harmonia com seu padrão de justiça perfeito. Mesmo quando tem bons motivos para
usar seu poder para executar um julgamento ele sempre tempera
a justiça com o amor. Fazer isso de modo
equilibrado e excelente exige sabedoria. Obviamente, os tratos do
Criador com a nação de Israel devem atrair-nos a ele e motivar-nos a nos
interessar em fazer a Sua vontade.
Quando
essa parte da Bíblia (o Velho Testamento) termina, Judá, com seu templo em
Jerusalém, havia sido restaurado mas estava sob domínio pagão. Assim, como
poderia cumprir-se o pacto de Deus com Davi a respeito de um ‘descendente’ que
governaria “para todo o sempre”? (Salmo 89:3, 4; 132:11, 12) Os judeus ainda
aguardavam o aparecimento do “Messias, o Líder”, que libertaria o povo de Deus
e estabeleceria um reino teocrático (governado por Deus) na Terra. (Daniel
9:24, 25) Mas era esse o propósito de Jeová? Se não era, de que modo o
prometido Messias traria a libertação? E como isso nos afeta hoje? O capítulo
seguinte considerará essas perguntas vitais.
Os
nomes dos livros bíblicos estão em negrito para facilitar a identificação de
seu conteúdo.
Esses
são 1 Samuel, 2 Samuel, 1 Reis,
2 Reis, 1 Crônicas e 2 Crônicas.
Ele
também escreveu Cântico de Salomão, um poema de amor sobre
a lealdade de uma moça a um humilde pastor.
Um
bom número de livros bíblicos contêm essas mensagens proféticas inspiradas.
Entre eles Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel,
Joel, Miquéias, Habacuque, Sofonias. Os livros de Obadias,
Jonas e Naum focalizaram nações vizinhas cujas ações afetavam o
povo de Deus.
Esses
livros de história e de profecias incluem Esdras, Neemias, Ester,
Ageu, Zacarias e Malaquias.
“É impossível usar a luz elétrica, as comunicações sem fio ou servir-nos
das modernas descobertas médicas e cirúrgicas e, ao mesmo tempo, crer no mundo
de espíritos e de milagres do Novo Testamento.” Estas palavras do teólogo
alemão Rudolf Bultmann refletem o que muitos hoje acham a respeito de milagres.
É isso o que você pensa a respeito dos milagres registrados na Bíblia, como
aquele em que Deus
dividiu as águas do mar Vermelho?Pode-se crer em milagres?
O Concise Oxford Dictionary define “milagre” como
“evento extraordinário atribuído a alguma atividade sobrenatural”. Tal evento
extraordinário envolve uma interrupção da ordem natural, razão pela qual muitos
não se inclinam a crer em
milagres. Contudo , o que parece ser uma violação da lei
natural pode ser facilmente explicado à luz das outras leis da natureza
envolvidas.
Para ilustrar, a revista New Scientist publicou que dois
físicos da Universidade de Tóquio aplicaram um campo magnético extremamente
forte num tubo horizontal parcialmente cheio de água. A água foi forçada para
as extremidades do tubo, deixando seca a parte do meio. O fenômeno, descoberto
em 1994, acontece porque a água é ligeiramente diamagnética, ou seja, um ímã a
repele. O confirmado fenômeno de a água deslocar-se de onde um campo magnético
é muito forte para onde ele é mais fraco, foi apelidado de Efeito Moisés. A New
Scientist observou: “Deslocar a água é fácil — se você tiver um ímã
suficientemente grande. Se tiver, praticamente tudo será possível.”
Naturalmente, não se pode dizer com absoluta certeza que processo Deus
usou quando partiu o mar Vermelho para os israelitas. Mas o Criador conhece nos
mínimos detalhes todas as leis da natureza. Ele poderia facilmente controlar
certos aspectos de uma lei empregando outra lei dentre as que ele criou. Para
os humanos, o resultado poderia parecer milagroso, especialmente se não
entendessem bem as leis envolvidas.
Quanto aos milagres na Bíblia, Akira Yamada, professor emérito da
Universidade de Kyoto, no Japão, diz: “Embora seja correto dizer que [um
milagre] não pode ser entendido por ora à base do ponto de vista da ciência em
que a pessoa esteja envolvida (ou à base do status quo da
ciência), é errado concluir que ele não aconteceu, simplesmente com base na
autoridade da avançada física moderna ou da avançada Bibliologia moderna. Daqui
a dez anos, a ciência moderna de hoje será uma ciência do passado. Quanto mais
rapidamente a ciência progredir, maior a possibilidade de os cientistas de hoje
se tornarem alvo de piadas, tais como ‘os cientistas dez anos atrás criam
seriamente nisso ou naquilo’.” — Gods in the Age
of Science.
Como Criador, capaz de coordenar todas as leis da natureza, Jeová pode
usar seu poder para fazer milagres.
Em que sentido um Deus ciumento?
“Jeová, cujo nome é Ciumento, é um Deus ciumento.” Lemos esse comentário
em Êxodo 34:14, mas o que significa?
A palavra hebraica traduzida por “ciumento” pode significar “que exige
devoção exclusiva, que não tolera rivalidade”. Em sentido positivo isso
beneficia suas criaturas, pois Jeová é ciumento com respeito ao seu nome e a
sua adoração. (Ezequiel 39:25) Seu zelo em cumprir o que seu nome representa
significa que ele cumprirá seu objetivo para com a humanidade.
Considere, por exemplo, sua condenação dos povos que viviam na terra de
Canaã. Certo erudito faz esta descrição chocante: “O culto de Baal, de Astorete
e de outros deuses dos cananeus consistia nas mais extravagantes orgias; seus
templos eram centros de depravação. . . . Os cananeus prestavam seu
culto, praticando a licenciosidade, . . . e também assassinando seus
primogênitos, como sacrifício aos mesmos deuses.” Os arqueólogos descobriram
jarros contendo despojos de crianças sacrificadas. Embora Deus observasse o
erro dos cananeus nos dias de Abraão, ele foi paciente com eles por 400 anos,
concedendo-lhes bastante tempo para mudar. — Gênesis 15:16.
Tinham os cananeus uma percepção clara da gravidade de seu erro? Bem,
eles possuíam a faculdade humana da consciência, reconhecida pelos juristas
como base universal para moralidade e justiça. (Romanos 2:12-15) Apesar disso,
os cananeus persistiram nos detestáveis sacrifícios de crianças e nas práticas
sexuais degradantes.
Jeová, no seu equilíbrio de justiça, determinou que aquela terra tinha
de ser saneada. Não era genocídio. Cananeus individuais (como Raabe) ou grupos
inteiros (como os gibeonitas), que aceitaram voluntariamente as elevadas normas
morais de Deus, foram poupados. (Josué 6:25; 9:3-15) Raabe tornou-se um elo na
genealogia real que levou ao Messias, e descendentes de gibeonitas foram
privilegiados de ministrar no templo de Jeová. — Josué 9:27; Esdras 8:20;
Mateus 1:1, 5-16.
Portanto, quando procuramos ver o quadro
completo e claro, baseado em fatos, é fácil perceber que Jeová é um Deus
admirável e justo, ciumento no bom sentido, de uma maneira que beneficia suas
criaturas fiéis.
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