Capítulo Dois
Qual é a origem do
universo? — a controvérsia
OS
ASTRONAUTAS emocionam-se ao fotografar a Terra, que parece enorme quando vista
através da janela de uma espaçonave. “É o momento mais agradável de um vôo
espacial”, disse um deles. Mas a Terra é bem pequena em comparação com o
sistema solar. Dentro do Sol caberiam um milhão de Terras, e sobraria espaço!
Mas, poderiam esses fatos a respeito do Universo ter algo a ver com a nossa
vida e seu sentido?
Façamos
uma breve excursão mental ao espaço, para ver o Sol e a Terra em perspectiva. O Sol
é apenas uma de um número assombroso de estrelas que ficam num dos braços
espirais da galáxia Via-Láctea, ela mesma apenas uma diminuta parte do
Universo. A olho nu podem-se ver algumas manchas de luz que, na realidade, são
outras galáxias, como a bela Andrômeda, maior do que a Via-Láctea. A
Via-Láctea, a Andrômeda e mais umas 20 outras galáxias são mantidas juntas pela
gravitação num aglomerado, todas elas ocupando apenas um pequeno espaço num
vasto superaglomerado. O Universo contém inumeráveis superaglomerados, e isso
não é tudo.
Os
aglomerados não estão espalhados por igual no espaço. Numa escala enorme, eles
parecem paredes e filamentos envolvendo gigantescas regiões vazias, ou
‘bolhas’. Algumas partes são tão longas e largas que parecem grandes muralhas.
Isso talvez surpreenda a muitos que pensam que o Universo criou a si mesmo numa
explosão cósmica casual. “Quanto mais claramente vermos o Universo em todos os
seus detalhes gloriosos”, conclui um escritor sênior da revista Scientific
American, “tanto mais difícil será explicarmos com uma teoria simples
como é que ele se formou”.
Evidências apontam para um Começo
Todas
as estrelas que vemos estão na Via-Láctea. Até os anos 20, esta parecia ser a
única galáxia existente. Mas provavelmente você sabe que em observações
posteriores, com telescópios maiores, ficou provado que isso não é assim. O
Universo contém pelo menos 50 bilhões de galáxias. Não são 50 bilhões de estrelas,
mas pelo menos 50 bilhões de galáxias, cada qual com bilhões de estrelas
semelhantes ao Sol. Mas não foi a quantidade estonteante de enormes galáxias que
abalou as crenças científicas nos anos 20. Foi o fato de estarem todas em
movimento.
Os
astrônomos descobriram um fato notável: quando passaram luz galáctica através
de um prisma, observou-se um ‘esticamento’ nas ondas luminosas, indicando que
se afastavam de nós a grande velocidade. Quanto mais distante a galáxia, tanto
mais rapidamente parecia afastar-se. Isso indica um Universo em expansão.
Mesmo
sem sermos astrônomos profissionais ou amadores podemos ver que um Universo em
expansão teria profundas implicações no nosso passado — e talvez também no
nosso futuro pessoal. Alguma coisa forçosamente desencadeou esse processo
— uma força suficientemente poderosa para vencer a imensa gravidade do
Universo inteiro. É válido perguntar-nos: ‘De que fonte viria uma energia tão
poderosa?’
Ainda
que para a maioria dos cientistas o Universo tenha tido um começo bem pequeno e
denso (uma singularidade), não podemos fugir desta questão fundamental: “Se em
algum ponto no passado o Universo estava confinado a um estado singular de
tamanho infinitamente pequeno e de infinita densidade, temos de perguntar o que
havia ali antes e o que havia fora do Universo. . . . Temos de
encarar o problema de um Começo.” — Sir Bernard Lovell.
Isso
envolve mais do que apenas uma fonte de vasta energia. Requer também previsão e
inteligência, pois o ritmo de expansão parece estar ajustado com grande
precisão. “Se o Universo tivesse se expandido uma trilionésima parte mais
rápido”, disse Lovell, “toda a matéria no Universo já estaria dispersa agora.
. . . E se tivesse sido uma trilionésima parte mais lento, as forças
gravitacionais teriam arruinado o Universo mais ou menos dentro de seu primeiro
trilhão de anos de existência. De novo, não haveria estrelas de longa vida nem
a própria vida”.
Tentativas de explicar o Começo
Será
que os especialistas agora sabem explicar a origem do Universo? Muitos
cientistas, não à vontade com a idéia de que o Universo possa ter sido criado
por uma inteligência superior, especulam que, por meio de algum processo, ele
tenha criado a si mesmo do nada. Parece-lhe razoável isso? Tais especulações em
geral envolvem alguma variação de uma teoria (a do Universo inflacionário)
apresentada em 1979 pelo físico Alan Guth. No entanto, mais recentemente, o
Dr. Guth admitiu que a sua teoria “não explica como o Universo surgiu do
nada”. O Dr. Andrei Linde foi mais explícito num artigo em Scientific American :
“Explicar essa singularidade inicial — onde e quando tudo começou
— ainda é o problema mais renitente da cosmologia moderna.”
Se
os especialistas realmente não sabem explicar a origem nem o desenvolvimento
primordial do Universo, não devemos procurar uma explicação em outra parte? De
fato, você tem boas razões para considerar evidências que muitos têm
despercebido, mas que lhe poderão dar uma boa compreensão desse assunto. Essas
evidências incluem as dimensões precisas de quatro forças fundamentais
responsáveis por todas as propriedades e mudanças que afetam a matéria. A
simples menção de forças fundamentais talvez leve alguns a hesitar, pensando:
‘Isso é coisa só para os físicos.’ Não é. Vale a pena considerar os fatos
básicos, pois nos afetam.
Regulagem perfeita
As
quatro forças fundamentais atuam tanto na vastidão do cosmos como na infinita
pequenez das estruturas atômicas. Sim, tudo ao nosso redor está envolvido.
Elementos
essenciais à vida (especialmente o carbono, o oxigênio e o ferro) não poderiam
existir sem a regulagem perfeita entre as quatro forças manifestas no Universo.
Já mencionamos uma dessas forças, a força gravitacional. Outra é
a força eletromagnética. Se esta fosse bem mais fraca, os
elétrons não seriam mantidos ao redor do núcleo do átomo. ‘Seria grave isso?’,
há quem se pergunte. Seria, pois os átomos não poderiam ligar-se para formar
moléculas. Inversamente, se essa força fosse bem mais forte, os elétrons
ficariam aprisionados no núcleo do átomo. Não haveria reações químicas entre os
átomos, ou seja, não haveria vida. Já nesse aspecto fica claro que a nossa
existência e a vida dependem da regulagem perfeita da força eletromagnética.
E
considere a escala cósmica: uma leve diferença na força eletromagnética
afetaria o Sol, alterando assim a luz que atinge a Terra, tornando difícil, ou
impossível, a fotossíntese nas plantas. Poderia também roubar da água as suas propriedades
ímpares, que são vitais para a vida. Mais uma vez, a regulagem perfeita da
força eletromagnética torna possível a nossa vida.
Igualmente
vital é a intensidade da força eletromagnética em relação às outras três. Por
exemplo, alguns físicos calculam que esta força seja 10.000.000.-
000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 (1040) de vezes maior
do que a da gravidade. Poderia parecer ínfimo acrescentar mais um zero a esse
número (1041). Mas isso significaria que a gravidade seria
proporcionalmente mais fraca, e o Dr. Reinhard Breuer fala
dos resultados disso: “Com gravidade mais baixa as estrelas seriam menores, e a
pressão da gravidade nos seus interiores não elevaria a temperatura o
suficiente para ocorrerem as reações de fusão nuclear: o Sol não teria como
brilhar.” Imagine o que isso significaria para nós!
E se
a gravidade fosse proporcionalmente mais forte, de modo que o
número tivesse apenas 39 zeros (1039)? “Com apenas esse pequeno
ajuste”, continua Breuer, “uma estrela como o Sol teria a sua expectativa de
vida drasticamente reduzida”. E há cientistas que acham que a regulagem é ainda
mais precisa.
De
fato, duas qualidades notáveis do Sol e de outras estrelas são eficiência e
estabilidade a longo prazo. Veja uma ilustração simples: para funcionar bem, o
motor de um carro precisa de uma combinação perfeita de combustível e ar.
Engenheiros projetam complexos sistemas mecânicos e computadorizados para
aperfeiçoar o desempenho. Se é assim com um simples motor, que dizer das
eficientes estrelas de “combustão” como o Sol? As forças principais envolvidas
estão reguladas com precisão, viabilizando a vida. Será casual essa precisão? A
Jó, da antiguidade, foi feita esta pergunta: “Você conhece as leis que governam
o céu e sabe como devem ser aplicadas na terra?” (Jó 38:33, A Bíblia
na Linguagem de Hoje) Nenhum homem conhece. Assim,
de onde vem essa precisão?
As
duas forças nucleares
A
estrutura do Universo envolve muito mais do que apenas a regulagem perfeita da
gravidade e da força eletromagnética. Duas outras forças físicas também se
relacionam com a nossa vida.
Essas
duas forças operam no núcleo de um átomo, muito evidentemente fruto de projeto
inteligente. Considere a força nuclear forte, que liga os
prótons e nêutrons entre si no núcleo do átomo. Graças a essa ligação podem-se
formar vários elementos — os leves (como o hélio e o oxigênio) e os
pesados (como o ouro e o chumbo). Pelo visto, se a força de ligação fosse
apenas 2% mais fraca, existiria apenas o hidrogênio. Inversamente, se essa força
fosse ligeiramente mais forte, haveria apenas elementos mais pesados, mas não
hidrogênio. Afetaria isso a nossa vida? Bem, se faltasse hidrogênio no
Universo, o Sol não teria o combustível necessário para irradiar energia
vitalizadora. E, é claro, não teríamos água nem alimento, pois o hidrogênio é
um ingrediente essencial de ambos.
A
quarta força em consideração, a força nuclear fraca,
controla a desintegração radioativa. Afeta também a atividade termonuclear no
Sol. ‘Está essa força em regulagem perfeita com as outras?’, talvez se
pergunte. O matemático e físico Freeman Dyson explica: “A [força] fraca é
milhões de vezes mais fraca do que a força nuclear. É fraca justamente o
necessário para que o hidrogênio no Sol queime num ritmo lento e constante. Se
a [força] fraca fosse mais forte ou mais fraca, todas as formas de vida que
dependem de estrelas do tipo do Sol também estariam em perigo.” Sim , esse
ritmo de combustão preciso mantém a Terra aquecida — mas não incinerada
— e nos mantém vivos.
Ademais,
os cientistas acreditam que a força fraca participa nas explosões de
supernovas, que eles acham ser o processo para a produção e distribuição da
maioria dos elementos. “Se tais forças nucleares fossem ligeiramente diferentes
do que são, as estrelas não produziriam os elementos dos quais você e eu nos
compomos”, explica o físico John Polkinghorne.
Muito
mais se poderia dizer, mas você sem dúvida entende o ponto. Existe uma
surpreendente regulagem entre essas quatro forças fundamentais. “Parece que
tudo ao nosso redor prova que a natureza fez tudo certo”, escreveu o professor
Paul Davies. Sim, a regulagem perfeita entre as forças fundamentais possibilita
a existência e a operação do nosso Sol, do nosso agradável planeta com as suas
águas vitalizantes, da nossa atmosfera tão essencial à vida, e de uma coleção
enorme de preciosos elementos químicos existentes na Terra. Mas, pergunte-se:
‘O que explica essa regulagem perfeita, e o que é responsável por isso?’
Características ideais da Terra
A
nossa existência exige precisão também em outros sentidos. Considere as medidas
da Terra e sua posição em relação ao restante do sistema solar. No livro
bíblico de Jó fazem-se as seguintes perguntas, que induzem à humildade: “Onde
[estavas] quando fundei a terra? . . . Quem lhe pôs as medidas, caso
tu o saibas?” (Jó 38:4, 5) Como nunca antes, essas perguntas exigem
respostas. Por quê? Por causa das coisas surpreendentes que têm sido
descobertas a respeito da Terra — incluindo seu tamanho e sua posição no
sistema solar.
Não
se encontrou nenhum outro planeta como a Terra no Universo. É verdade que
alguns cientistas apontam evidências indiretas de que certas estrelas têm em
sua órbita objetos centenas de vezes maiores do que a Terra. Mas o tamanho da
Terra é exatamente o certo para que possamos existir. Como assim? Se a Terra
fosse um pouquinho maior, a sua gravidade seria mais forte e o hidrogênio (um
gás leve) iria acumular-se por não poder escapar dessa gravidade. Com isso, a
atmosfera seria inóspita para a vida. Por outro lado, se a Terra fosse um
pouquinho menor, o essencial oxigênio escaparia e as águas do planeta se
evaporariam. Em ambos os casos, não seria possível vivermos.
A
Terra está também a uma distância ideal do Sol, um fator vital para a
sustentação da vida. O astrônomo John Barrow e o matemático Frank Tipler
estudaram “a proporção do raio da Terra e a distância do Sol”. Eles
concluíram que a vida humana não existiria “se essa proporção fosse
ligeiramente diferente da que se observa”. O professor David L. Block diz: “Os
cálculos mostram que se a Terra ficasse só 5% mais perto do Sol, uns 4 bilhões
de anos atrás teria ocorrido um descontrolado efeito estufa [superaquecimento
da Terra]. Por outro lado, se a Terra ficasse só 1% mais longe do Sol, uns 2
bilhões de anos atrás teria ocorrido uma descontrolada glaciação [enormes
camadas de gelo cobrindo grande parte do globo].” — Our Universe:
Accident or Design?
A
essa precisão, acrescente-se o fato de que a Terra gira em torno de seu eixo
uma vez por dia, na velocidade certa para produzir temperaturas moderadas.
Vênus leva 243 dias para fazer o mesmo. Imagine se a Terra levasse tanto tempo!
Não suportaríamos as temperaturas extremas de dias e noites tão longos.
Outro
detalhe vital é a trajetória da Terra ao redor do Sol. A trajetória dos cometas
é larga e elíptica. Felizmente, a da Terra não é assim; a sua órbita é quase
circular. Isso também nos poupa de extremos de temperatura fatais.
Não
despercebamos também a localização de nosso sistema solar. Se ficasse mais
perto do centro da Via-Láctea, o efeito gravitacional de estrelas vizinhas
distorceria a órbita da Terra. Em contraste, se estivesse situado bem na
extremidade dessa nossa galáxia, o céu noturno ficaria quase sem estrelas. A
luz das estrelas não é essencial à vida, mas não acrescentam elas uma grande
beleza ao nosso céu noturno? E, com base em conceitos correntes sobre o
Universo, os cientistas calculam que nas extremidades da Via-Láctea não haveria
elementos químicos suficientes para formar um sistema solar como o nosso.
Lei e ordem
Por
observação pessoal, você sabe que todas as coisas tendem para a desordem. Como
todo dono de uma casa verifica, as coisas abandonadas tendem a estragar-se ou a
desintegrar-se. Os cientistas chamam essa tendência de “segunda lei da
termodinâmica”. Vemos essa lei em ação diariamente. Um carro novo ou uma
bicicleta nova abandonados viram sucata. Um prédio abandonado se transformará em ruínas. E o Universo? A
lei se aplica ali também. Portanto, é de supor que a ordem no Universo deva,
com o tempo, ceder à desordem total.
Mas
parece que não é isso o que acontece com o Universo, como o professor de
matemática Roger Penrose descobriu ao estudar o estado de desordem (ou,
entropia) do Universo observável. Uma maneira lógica de interpretar tais
descobertas é concluir que o Universo começou num estado de ordem e ainda é
altamente organizado. O astrofísico Alan Lightman observou que os cientistas
“acham misterioso que o Universo tenha sido criado num estado de ordem tão
elevado”. Ele acrescentou que “qualquer teoria de cosmologia bem-sucedida devia
em última análise explicar esse problema da entropia”, ou seja, por que o
Universo não se tornou caótico.
De
fato, a nossa existência é contrária a essa lei reconhecida. Portanto, o que
explica a nossa vida aqui na Terra? Como já mencionado, essa é uma pergunta
básica que merece uma resposta.
O
diâmetro da galáxia Via-Láctea é de aproximadamente um quintilhão de
quilômetros, sim — 1.000.000.000.000.000.000 de quilômetros! A luz leva
100.000 anos para cruzá-la, e essa única galáxia contém mais de 100
bilhões de estrelas!
Em
1995, os cientistas notaram o comportamento estranho da estrela mais distante
(SN 1995K) já observada, que estava explodindo na sua galáxia. Como as
supernovas em galáxias vizinhas, essa estrela tornou-se bem brilhante e daí,
lentamente, foi perdendo o brilho, porém num período mais longo do que jamais
detectado antes. A revista New Scientist pôs isso num gráfico e
explicou: “O traçado da curva luminosa . . . está esticado no
tempo por exatamente a quantidade esperada se a galáxia se distanciasse de nós
a aproximadamente metade da velocidade da luz.” A conclusão? Esta é
“a melhor evidência até agora de que o Universo realmente está-se
expandindo”.
A
teoria da inflação especula o que aconteceu numa fração de segundo após o
começo do Universo. Os defensores da inflação sustentam que o Universo
inicialmente era submicroscópico e daí inflacionou (expandiu-se) mais rápido do
que a velocidade da luz, uma afirmação que não pode ser testada em laboratório. A
teoria da inflação ainda é polêmica.
Os
cientistas descobriram que os elementos revelam espantosa ordem e harmonia.
Evidência interessante disso é apresentada no apêndice “Unidades arquiteturais
do Universo”, na página 26.
O Sol é
insignificante na galáxia Via-Láctea - espiral NGC 5236
A Via-Láctea contém mais
de 100 bilhões de estrelas, e é apenas uma de mais de 50 bilhões de galáxias no
Universo conhecido
O astrônomo Edwin
Hubble (1889-1953) percebeu que um desvio vermelho na luz de galáxias distantes
indicava que o Universo está em expansão e, portanto, teve um começo.
A perfeita regulagem entre as forças
que controlam o Sol resulta em condições ideais para a nossa vida na Terra.
Tentativa de contar as estrelas
Calcula-se que a galáxia Via-Láctea tenha mais de 100 bilhões de
estrelas. Imagine uma enciclopédia que dedicasse uma página a cada uma dessas
estrelas — o Sol e o restante do sistema solar ficariam limitados a uma
página. Quantos volumes seriam necessários para incluir todas as estrelas da
Via-Láctea?
Com volumes razoavelmente grandes, diz-se que essa enciclopédia não
caberia na Biblioteca Pública de Nova York, com seus 412 quilômetros de
espaço nas estantes!
Quanto tempo levaria para examinar essas páginas? “Folheá-la num ritmo
de uma página por segundo levaria mais de dez mil anos”, explica o livro Coming
of Age in the Milky Way (Maioridade
na Via-Láctea). No entanto, as estrelas da nossa galáxia são mera fração do
número de estrelas existentes nos calculadamente 50 bilhões de galáxias no
Universo. Se a enciclopédia dedicasse uma página para cada uma dessas estrelas,
as bibliotecas do mundo inteiro juntas não teriam espaço suficiente para
abrigá-la. “Quanto mais sabemos sobre o Universo”, diz o livro, “tanto mais
vemos o quão pouco sabemos”.
Comentários de Jastrow sobre
o Começo
Robert Jastrow, professor de Astronomia e de Geologia na Universidade de
Colúmbia (EUA), escreveu: “Poucos astrônomos poderiam ter previsto que esse
evento — o nascimento súbito do Universo — se tornaria um fato
científico comprovado, mas a observação dos céus por meio de telescópios
obrigou-os a chegar a essa conclusão.”
Daí ele falou das implicações disso: “A prova astronômica de que
[o Universo teve] um Começo embaraça os cientistas, pois eles acreditam
que todo efeito tem uma causa natural . . . O astrônomo britânico
E. A. Milne escreveu: ‘Não podemos fazer suposições sobre como eram
as coisas [no começo]; no ato Divino da criação Deus não teve observadores nem
testemunhas.’” — The Enchanted Loom—Mind in the
Universe.
Quatro forças físicas fundamentais
1. Gravitação: uma força bem fraca a
nível de átomos. Afeta objetos grandes — planetas, estrelas, galáxias.
2. Eletromagnetismo: a força
principal de atração entre prótons e elétrons, permitindo a formação de
moléculas. Os relâmpagos são uma das provas de sua força.
3. Força nuclear forte: a força que
liga os prótons e os nêutrons entre si no núcleo de um átomo.
4. Força nuclear
fraca: a força que governa a desintegração de elementos radioativos e a
eficiente atividade termonuclear do Sol.
“Combinação de coincidências”
“Se a força fraca fosse um pouquinho mais forte, nenhum hélio teria sido
produzido; se fosse um pouquinho mais fraca, praticamente todo o hidrogênio
teria sido convertido em hélio.”
“A margem de possibilidade de vir a existir um Universo em que haja
certa quantidade de hélio e também supernovas em explosão é muito estreita. A
nossa existência depende dessa combinação de coincidências, e da coincidência
ainda mais fantástica dos níveis de energia nuclear preditos [pelo astrônomo
Fred] Hoyle. Diferente de todas as gerações anteriores, nós sabemos como viemos
a existir. Mas, como todas as gerações anteriores, ainda não sabemos por quê.”
— New Scientist.
“As condições especiais existentes na Terra, em função de seu tamanho
ideal, sua composição de elementos e sua órbita quase circular a uma distância
perfeita de uma estrela de vida longa (o Sol), possibilitaram o acúmulo de
água na superfície da Terra.” (Integrated Principles of Zoology,
7.a edição) Sem água, a vida na Terra não poderia ter surgido.
Acredita só no que vê?
Muitas pessoas razoáveis aceitam a existência de coisas que não podem
ver. Em janeiro de 1997, a
revista Discover publicou que os astrônomos haviam detectado o que eles
concluíram ser cerca de uma dúzia de planetas orbitando estrelas distantes.
“Até agora esses novos planetas só são conhecidos pela maneira como suas
gravidades interferem no movimento das estrelas-mães.” Sim, para os astrônomos,
os efeitos visíveis da gravitação constituíram base para crer na existência de
corpos celestes não vistos.
Evidências relacionadas — não a observação direta — foi uma base
adequada para os cientistas aceitarem o que ainda era invisível. Muitos que
crêem num Criador concluem que têm base similar para aceitar a existência do
que não podem ver.
Sir Fred Hoyle explica em The Nature
of the Universe: “Para fugir da questão da criação seria
necessário que toda a matéria do Universo fosse infinitamente velha, o que ela
não pode ser. . . . O hidrogênio é constantemente convertido em hélio
e em outros elementos . . . Como se dá, então, que o Universo
consiste quase só de hidrogênio? Se a matéria fosse infinitamente velha isso
seria totalmente impossível. Vemos assim que, pelo que o Universo é, a questão
da criação não pode ser simplesmente ignorada.”
Apêndice
“Unidades arquiteturais do Universo”
É
assim que uma moderna enciclopédia de ciência chama os elementos químicos. Há
uma variedade espantosa entre os elementos da Terra; alguns são raros, outros
abundantes. Certos elementos, como o ouro, são atraentes para o olho humano.
Outros são gases que nem sequer vemos, como o nitrogênio e o oxigênio. Cada
elemento é feito de certo tipo de átomo. A construção dos átomos e a relação
deles entre si revelam economia e espantosa organização, numa ordem semelhante
à de um gráfico.
Uns
300 anos atrás, conheciam-se apenas 12 elementos: antimônio, arsênio, bismuto,
carbono, chumbo, cobre, enxofre, estanho, ferro, mercúrio, ouro e prata. Com a
descoberta de novos elementos, os cientistas notaram que estes refletiam uma
ordem bem definida. Visto que havia lacunas nessa ordem, cientistas como
Mendeleyev, Ramsay, Moseley e Bohr teorizaram a existência de elementos
desconhecidos e suas características. Com o tempo esses elementos foram
descobertos, exatamente conforme fora predito. Como podiam esses cientistas
prever a existência de formas de matéria ainda desconhecidas na época?
Bem,
os elementos seguem uma ordem numérica natural, baseada na estrutura de seus
átomos. É uma lei comprovada. Assim, os livros escolares podem apresentar uma
tabela periódica de elementos em linhas horizontais e em colunas
— hidrogênio, hélio, e assim por diante.
A McGraw-Hill
Encyclopedia of Science & Technology
observa: “Poucas sistematizações na história da ciência rivalizam-se com o
conceito periódico como ampla revelação da ordem do mundo físico.
. . . Quaisquer elementos novos que venham a ser descobertos no
futuro com certeza encontrarão um lugar no sistema periódico, ajustando-se à sua
respectiva ordem e revelando as peculiares características familiais.”
Quando
os elementos são dispostos nas linhas horizontais e nas colunas da tabela
periódica, observa-se uma relação notável entre os elementos que aparecem numa
mesma coluna. Por exemplo, na última coluna estão hélio (N.° 2), neônio
(N.° 10), argônio (N.° 18), criptônio (N.° 36), xenônio
(N.° 54) e radônio (N.° 86). São gases que brilham intensamente
quando atravessados por uma descarga elétrica e são usados em certas lâmpadas.
Também, eles não interagem facilmente com vários outros elementos, como fazem
outros gases.
Sim,
o Universo — mesmo nas suas ínfimas partículas atômicas — revela
espantosa harmonia e ordem. O que é responsável por essa ordem, harmonia e
variedade nos blocos de construção do Universo?
Tabela periódica dos elementos
A ordem e a harmonia dos elementos
na tabela periódica refletem mero acaso ou projeto inteligente?
METAIS
AMETAIS
GASES RAROS
ELEMENTOS DE TRANSIÇÃO
Série dos lantanídeos
Série dos actinídeos
I
II III IV
V VI VII
VIII
Nome do elemento Símbolo
Número atômico
hidrogênio H 1
hélio He 2
lítio Li 3
berílio Be 4
boro B 5
carbono C 6
nitrogênio N 7
oxigênio O 8
flúor F 9
neônio Ne 10
sódio Na 11
magnésio Mg 12
alumínio Al 13
silício Si 14
fósforo P 15
enxofre S 16
cloro Cl 17
argônio Ar 18
potássio K 19
cálcio Ca 20
escândio Sc 21
titânio Ti 22
vanádio V 23
cromo Cr 24
manganês Mn 25
ferro Fe 26
cobalto Co 27
níquel Ni 28
cobre Cu 29
zinco Zn 30
gálio Ga 31
germânio Ge 32
arsênio As 33
selênio Se 34
bromo Br 35
criptônio Kr 36
rubídio Rb 37
Estrôncio Sr 38
ítrio Y 39
zircônio Zr 40
nióbio Nb 41
molibdênio Mo 42
tecnécio Tc 43
rutênio Ru 44
ródio Rh 45
paládio Pd 46
prata Ag 47
cádmio Cd 48
índio In 49
estanho Sn 50
antimônio Sb 51
telúrio Te 52
iodo I 53
xenônio Xe 54
césio Cs 55
bánio Ba 56
lantânio La 57
cério Ce 58
praseodímio Pr 59
neodímio Nd 60
promécio Pm 61
samário Sm 62
európio Eu 63
gadolínio Gd 64
térbio Tb 65
disprósio Dy 66
hólmio Ho 67
érbio Er 68
túlio Tm 69
itérbio Yb 70
lutécio Lu 71
háfnio Hf 72
tântalo Ta 73
tungstênio W 74
rênio Re 75
ósmio Os 76
irídio Ir 77
platina Pt 78
ouro Au 79
mercúrio Hg 80
tálio Tl 81
chumbo Pb 82
bismuto Bi 83
polônio Po 84
astatínio At 85
radônio Rn 86
frâncio Fr 87
rádio Ra 88
actínio Ac 89
tório Th 90
protactínio Pa 91
urânio U 92
netúnio Np 93
plutônio Pu 94
amerício Am 95
cúrio Cm 96
berquélio Bk 97
califórnio Cf 98
einstênio Es 99
férmio Fm 100
mendelévio Md 101
nobélio No 102
laurêncio Lr 103
104
105
106
107
108
109



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